O papel da mulher no futebol

Enviada em 19/08/2021

Segundo o renomado moralista Joseph Joubert, “Quem tem imaginação, mas não tem cultura, possui asas, mas não tem pés”. Tal ideia, no entanto, encontra barreiras para ser efetivada, sobretudo, no Brasil, em que o papel da mulher no futebol configura um preocupante desafio a ser solucionado no país. Faz-se crucial, dessa forma, analisar o baixo reconhecimento de atletas femininas e o machismo na presença de mulheres nesse esporte como principais responsáveis pelo revés.

Nessa lógica, observa-se, antes de tudo, que a desvalorização do desempenho de atletas femininas tem influência no problema. Acerca disso, jogadoras com carreiras iguais ou superiores a de atletas masculinos recebem uma remuneração inferior. De maneira análoga à matéria do site Congresso em foco, a jogadora destaque da seleção brasileira feminina, Marta, eleita seis vezes a melhor do mundo e a maior vencedora do prêmio da Fifa recebe em média US$3,9 mil por gol. Enquanto o destaque da seleção brasileira masculina, Neymar, é remunerado com US$290 mil por gol em média, sem nenhuma bola de ouro, o que, por conseguinte corrobora a grave desproporcionalidade diante de um mesmo esporte. Assim, enquanto esse desequilíbrio permanecer corrente, o desafio das participações femininas no futebol continuará a afligir a nação.

Tem-se, ainda, que o machismo presente influencia o impasse. A titúlo de exemplo, uma matéria publicada pelo site Trivela, no qual divulgam uma conversa entre o narrador Richard Keys e o comentarista Andy Gray pelo campeonato inglês, os dois não sabiam que o microfone estava aberto e desmereceram a qualidade do trabalho da bandeirinha Sian Massey por ela ser mulher. Nesse sentido, mulheres são rebaixadas fazendo seu próprio serviço, de modo que são remuneradas por um valor menor pelo mesmo serviço prestado. Logo, nota-se que se faz preciso criar uma medida capaz de combater o machismo velado no futebol.

Portanto, os desafios enfrentados pela mulher no futebol precisam ser mitigados. Para tanto, urge que o Ministério do Trabalho - responsável pela geração de renda e de apoio aos trabalhadores - incentive as grandes empresas a identificar as desigualdades salariais na própria companhia, através da sua visibilidade, de modo a orientar estratégias para mudança. Além disso, a mídia precisa balancear a mesma visibilidade aos jogos femininos e masculinos. Com essas medidas, pode-ser-á observar o país livre dos reveses gerados pelo papel da mulher no futebol.