O papel da mulher no futebol

Enviada em 27/10/2021

A Constituição Federal de 1988, documento jurídico mais importante do país, prevê, em seu artigo 6º, o direito à igualdade de tratamento e bem-estar. Conquanto, tal prerrogativa não tem se reverberado adequadamente na prática quando se observa a desigualdade das mulheres no futebol, dificultando, desse modo, a universalização desse direito social crucial. Diante disso, cabe analisar o aspecto sociocultural e a negligência estatal como fomentadores da questão.

Nesse cenário, é importante considerar o fator grupal. De acordo com o pensador Jurgen Habermas, a razão comunicativa – ou seja, o diálogo – constitui etapa fundamental do desenvolvimento social. Nesse ínterim, a falta de estímulo ao debate a respeito do preconceito sofrido pela mulher no futebol, todavia, coíbe o poder transformador da deliberação e, consequentemente, ocasiona em uma sociedade que desconhece a grandeza do problema. Desse modo, a população replica atitudes patriarcais quando destila comentários negativos sobre elas, como na situação onde o narrador do canal britânico Sky Sports disse que a juíza do jogo não parecia ter conhecimentos sobre como agir, só por ser mulher. Nesse contexto, muitas mulheres se sentem desestimuladas a seguir seus sonhos nessa carreira, haja vista a falta de respeito dada a elas. Destarte, discorrer a problemática é o primeiro passo para consolidação do progresso sociocultural.

Ademais, vale ressaltar a ausência inoperância estatal com a valorização da mulher no futebol. Decerto, a falta de incentivos escolares e na acessibilidade das mulheres no futebol é a realidade da política enfrentada no país, resultando nos diagnósticos tardios e na própria exclusão de uma parcela significativa da sociedade. Segundo o filósofo John Rawls, em sua obra “Uma teoria da justiça”, um governo ético é aquele que disponibiliza recursos financeiros para todos os setores públicos, promovendo igualdade de oportunidades a todos os cidadãos. Sob essa óptica, torna-se evidente que o Brasil não é um exemplo do pensamento desse teórico, visto que visibilidade das mulheres no futebol é bem menor que a dos homens, tal como em seus salários. submetendo-as à periferia da cidadania.

Entende-se, portanto, a temática como um obstáculo intrínseco de raízes culturais e legislativas. Logo, a mídia, por intermédio de programas televisivos de grande audiência, irá discutir o assunto com sociólogos, com o objetivo de mostrar as reais consequências da desvalorização da mulher no futebol, apresentar a visão crítica e orientar os espectadores como reduzir tais quadros. Essa medida ocorrerá por meio da elaboração de um projeto estatal, em parceria com o Ministério das Comunicações. Em adição, destinar recursos financeiros para as escolas na qualificação das garotas no futebol. Assim, a o bem-estar outorgado pela Constituição será devidamento aplicado.