O papel da mulher no futebol

Enviada em 05/10/2021

No século VIII antes de Cristo, a Antiguidade Grega criou o conceito de Paz Olímpica, cuja função era apaziguar a guerra, proteger a população e garantir a civilidade durante os jogos. Entretanto, culturalmente essa civilidade é empregada apenas para os indivíduos masculinos, já que as mulheres não possuem, na prática, a devida valorização e o devido respeito dentro do seu papel no futebol, seja pelo machismo marcado pela fragilidade masculina em dividir funções com elas, seja pela desigualdade de gênero, financeira e social vivenciada pelas jogadoras.

A princípio, é incoerente que a proteção e a garantia de direitos seja desejado pelos homens gregos concomitantemente com as mulheres gregas sendo vistas como tituladas pelos seus pais, esposos e filhos, de maneira sucessiva por toda sua vida, com o seu papel voltado unicamente para o lar, sendo proibida de praticar esportes e sua própria cidadania. Tal contexto grego se exapandiu por todo o mundo ao longo dos séculos, protagonizando e conceituando o “Machismo Estrutural”, cuja inclinação é o favorecimento do homem em detrenimento da mulher. Dessa forma, a fragilidade masculina reflete dentro dos campos de futebol, em não aceitar a “voz” e o rompimento do patriarcado imposto sobre as mulheres, de maneira a ridicularizar o trabalho e o talento delas.

Em verdade, grupos fragilizados social e culturalmente como as mulheres, tendem a sofrerem distinções, restrições e desigualdade de forma frequente e velada dentro da própria sociedade, do esporte e do futebol. Nesse viés, a jogadora brasileira Marta Vieira em comparativo com o ex jogador da seleção, Neymar Júnior, ao marcar o dobro do números de gols marcados pelo seu colega de profissão, ganha cerca de 3% do valor recebido por ele, dentro na mesma área, modalidade e especificidade da ação praticada. Dessa forma, a injustiça praticada há séculos apenas está mascarada na contemporaneidade, haja vista a desvalorização da feminilidade no esporte.

Para que o papel da mulher no futebol seja valorizado, portanto, faz-se necessário que a própria Seleção Brasileira de Futebol Feminino dissemine relatos, por meio de entrevistas para que se coloquem como atuantes da busca pela igualdade salarial, de entrenimento, ao informarem e ressaltarem a importância cultural dos seus papéis no esporte, no futebol. Essa iniciativa poderia se chamar “Virando o jogo” e teria a finalidade de ressignificar o futebol feminino e sua cultura dentro das sociedade modernas.