O papel da mulher no futebol

Enviada em 05/10/2021

A Constituição Federal de 1988, norma de maior hierarquia do sistema jurídico brasileiro, estabelece que é dever do Estado assegurar aos cidadãos práticas desportivas sem, assim como os demais direitos sociais, distinção de qualquer natureza. Todavia, no que tange ao papel da mulher no futebol, tal garantia da Carta Magna não é legitimada, visto que esse esporte é marcado pela desigualdade de gênero. Esse fato é propiciado, ora pela estrutura machista do ensino social, ora pela herança patriarcal histórica.

Em verdade, as normas e as condutas sociais que são ensinadas e passadas de geração em geração são, notalvemente, em sua maioria, misóginas. Sob esse viés, o filósofo existencialista, Paul Sartre, em sua filosofia, afirma que a existência precede a essência, sendo essa última adquirida após o nascimento. Dessa maneira, é notório que a construção ideológica de que mulher e futebol são assuntos opostos surge da educação machista que é dada aos indivíduos desde a infância, quando é definido que a menina brinca de boneca e de casinha e o menino de futebol e de carrinho, firmando, a parti disso, suas essências. Assim, é estruturado, socialmente, o papel da mulher no futebol, sob uma égide sexista, que é causa primordial para que figuras femininas nesse esporte sejam tão desvalorizadas, a exemplo de Marta, que apresenta, tanto salário, quanto reconhecimento, inferior ao seu semelhante na categoria masculina, Neymar.

Outrossim, a visão que a mulher ocupa no futebol é reflexo do patriarcalismo histórico. Nessa perspectiva, desde a Grécia antiga já era possível notar o excludente lugar reservado à figura feminina na arte e no esporte, quando o teatro e as olímpiadas não podiam ser executados por mulheres, pois elas não eram consideradas cidadãs. Dessa maneira, ainda que com menos força, a ideia permanece, muitas vezes, velada, mas percebida em comentários machistas e em momentos que a eficiência delas é colocada em julgamento por aqueles que se consideram melhor nessa área, os homens. Logo, a falta de críticas a essas tradições segregacionistas e desiguais corroboram a perpetuação da problemática.

Destarte, com o intuito de mitigar os entraves supracitados, é mister que o Governo, como agente na formação de recursos, expanda as políticas inclusivas já existentes da mulher no futebol, com incetivos financeiros aos clubes esportivos, fomentando a igualdade salarial e as competições esportivas femininas desde a infância, por meio de subsídios tributários e de campanhas midiáticas de fortalecimento do papel feminino nos diversos esportes, a fim de atenuar a desigualdade e o preconceito existente nesse espaço. Ademais, é impreterível que as intituições educativas atuem na desmistificação da ideia imposta, historicamente, de que o lugar da mulher não é onde ela quiser.