O papel da mulher no futebol

Enviada em 05/10/2021

Consoante a visão do filósofo Aristóteles, a ciência política se sobressai com relação as outras, estando ela para o exercício do bem coletivo. Entretanto, esse pensamento não condiz com a realidade brasileira, uma vez que o papel da mulher no futebol é, ainda, pouco discutitido e pouco incentivado. Nesse sentido, deve-se analisar não só a mentalidade retrógrada da população, atrelada ao patriarcalismo, mas também os baixos  investimentos no futebol feminino.

Em primeira análise, é cabível ressaltar que a mentalidade retrógrada da população, resultante do modelo patriarcal , fomenta a desvalorização do futebol praticado pelas mulheres. Essa não valorização tem como fruto o período Colonial, no qual foi perpetuado a ideia que o lugar pertecente aos homens, não serve ou não tem a mesma importância para as mulheres, já que, na época, elas eram tidas como incapazes de fazer o que eles faziam. Porém, mesmo no limiar do século XXI, com tantos avanços e tantas conquistas por parte do sexo feminino, é inarrável a maneira que o machismo oprime as mulheres, e o poder que ele tem em classificar o que deve ser praticado por homens ou não. Dessa maneira, é inegável o imporante papel que o futebol feminino traz, haja vista que praticar esse esporte, enquanto mulher, é um ato de empoderamento e uma forma de buscar pelo direito que já é garantido, mas que na pratica não funciona, que é a igualdade de gênero.

Soma-se a isso, a falta de incentivos que contribui com a “marginalização” do futebol feminino. Sob esse viés, é notório a baixa cobertura midiática e o desinteresse da população, o que a carreta com a desvalorização da mulher nesse esporte. Prova disso, é que de acordo com a revista Politize, a Copa do Mundo masculina é financiada pelo valor de 400 milhões de dólares, enquanto o campeonato feminino recebe apenas 30 milhões. Tendo em vista isso, é  inquestionável notar a enorme disparidade do investimento no mesmo esporte, mudando somente, o gênero a que ele se destina Consequentemente, é sabido  pontuar que a discrepância do financiamento, acarretado pela baixa visibilidade do esporte feminino, tem como influencia direta a desigualdade salarial entre os gêneros.

Logo, entende-se que a problemática urge por medidas interventivas, pois fere com a igualdade de gênero. Dessa forma, é dever da escola valorizar o âmbito estudantil, como forma de ensinar aos alunos e aos pais a importância do futebol feminino, por meio de palestras que abordem as conquistas femininas, além do motivo de elas serem importantes, tendo como objetivo mitigar a ideia patriarcal presente na sociedade, além de aumentar o interesse por esse esporte. Por sua vez, cabe a mídia e aos patrocinadores investirem mais no esporte feminino, tendo como fito ampliar a visibilidade dele. Assim, é possível alcançar uma sociedade que esteja para o bem coletivo, como pautava Aristóteles.