O papel da mulher no futebol

Enviada em 05/10/2021

Em 2018, a atacante alagoana Marta Vieira da Silva consagrou-se, com 6 troféus, como a maior ganhadora da premiação individual da entidade FIFA. Todavia, embora constatada a expressiva potencialidade nesse ramo, o papel da mulher é, constantemente, relativizado no futebol brasileiro. Nesse sentido, tanto a persistência de convenções repressivas quanto a notória inferioridade remunerativa destacam-se como agravantes da problemática.

A princípio, é relevante pontuar o perpassamento histórico de restrições físicas discriminatórias no país. Sob esse âmbito, o presidente Getúlio Vargas, no ano de 1941, emitiu um decreto-lei que proibiu a participação esportiva feminina, notabilizando a incompatibilidade fisiológica com a natureza desse sexo. Posto isso, apesar da superação legal de tais medidas, o viés do do enraizamento arcaico da mentalidade misógina ainda é observável no ideário popular, visto que posicionamentos que questionam conhecimento técnicos, como “Mulher sabe o que é impedimento?”, e afirmações que inferiorizam capacitações corpóreas, a exemplo de “O futebol feminino exige menos intensidade do que o masculino.”, permeiam o cenário nacional. Destarte, a manutenção conceptual do preconceito corrobora, seriamente, com a fragilização dessa modalidade.

Outrossim, salienta-se a inequidade exorbitante do aporte monetário comparativo no que tange às categorias futebolísticas. Por essa óptica, em 2019, a Organização das Nações Unidas (ONU) ressaltou essa diferença a partir de dados que apontam que o argentino Lionel Messi obtém, em uma mesma temporada, o dobro do montante conjunto de 1693 jogadoras das principais ligas do mundo. Nessa perspectiva, pode-se inferir que um engajamento atlético mais afirmativo é refreado pela percepção defasada de oportunidades que os campeonatos vigentes ofertam não apenas para as futebolistas, mas também para as profissionais de arbitragem e de comentarismo. Logo, lastimavelmente, inúmeros talentos são contidos em razão do insuficiente suporte que a mulher dispõe nessa carreira.

Diante disso, a valorização feminina no futebol é primordial. Assim, o Estado, em parceria com clubes das primeiras divisões esportivas, deve elucidar a população brasileira vide campanhas veiculadas em grandes meios de comunicação, como a televisão e as mídias sociais. Nesse projeto, será evidenciada a gravidade e a condenação de posicionamentos desportivos machistas, a fim de que, com o respaldo da informatividade, a sociedade possa, paulatinamente, dissipar visões retrógradas em relação à mulher. Ademais, é imprescindível que a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) estabeleça a obrigatoriedade da isonomia salarial entre a categoria das mulheres e dos homens, com o intuito de fomentar e de otimizar o seguimento do futebol feminino.