O papel da mulher no futebol

Enviada em 13/10/2021

A série da Netflix “Atypical”, introduz uma temática de preconceitos de deficiências e sexualidades, abordando, também, as dinâmicas desiguais nos esportes femininos em comparação aos masculinos. Fora da obra, é possível compreender que a obra aborda, infelizmente, um tema de altíssima relevância que não é levado com desvelo no século vinte e um: o papel da mulher no futebol. Diante desse cenário, é urgente demostrar que a inércia governamental é o fator que dá manutenção para a problemática, e acarreta, por conseguinte, na desigualdade entre os genêros.

Em primeira análise, compreende-se que o governo federal, como maior órgão do país, é o agente necessário para impor uma mudança, conquanto, ele não a faz. Segundo a filósofa moderna Hannah Arendt, o âmbito governamental passa, em doses distintas, doutrinas de pensamento para sua população, guiadas, mormente, por seus projetos e programas sociais. Nesse sentido, fica visível que tal teoria se aplica à atual conjuntura brasileira, haja vista que é indiscutível o ínfimo papel do Estado no que diz respeito ao importante papel do futebol feminino, fato esse que provoca, sem dúvidas, poucos projetos que visem resolver a desvalorização desta modalidade esportiva. Em suma, fica evidenciado que o atraso na equidade de oportunidades para os times femininos de futebol é causado, sobretudo, pela inércia governamental, trazendo, logo, prejuízos para a nação.

Ademais, é de suma importância salientar que apenas com novas dinâmicas públicas haverá uma melhora na questão. Em sequência, cabe trazer relatórios do site UOL, o qual demostra que o  Neymar, jogador de futebol, ganha quase 35 vezes mais que Marta, jogadora de futebol e 6 vezes melhor do mundo, pela seleção brasileira. Ainda nessa ótica, dados do Fedstats, instituto de pesquisa e estatística estado-unidense, aponta que o tempo do futebol feminino nas emissoras de TV é apenas 5% do tempo que o masculino possui. Nessa lógica, correlando-se os dados, fica demostrado que não há uma equidade nas duas faces do futebol, desvalorizando, dessa forma, o importante papel feminino no esporte. Por fim, torna-se passível de conclusão que algo deve ser feito para alterar a realidade atual do tema, e isso, segundo Hannah Arendt, deve ser feito pelo governo da nação.

Destarte, em vista dos fatos supracitados, é notória a necessidade de intervenção. A fim de demonstrar a importância do futebol feminino na realidade brasileira atual, urge ao Ministério da Educação e da Cultura criar programas sociais que visem engajar a população quanto à temática, por meio de propagandas em veículos de comunicação. Isso pode ocorrer, por exemplo, com ajuda de profissionais competentes na área esportiva e socioeducacional, montando melhores métodos de instruir a população. Logo, espera-se que a equidade entre Marta e Neymar possa, finalmente, existir.