O papel da sociedade na ressocialização de pessoas privadas de liberdade
Enviada em 25/09/2025
Inicialmente, cabe analisar que, para a solução eficaz de um problema, a equidade deve ser efetivada. Sob essa ótica, conforme defende Aristóteles, a verdadeira justiça consiste em tratar igualmente os iguais e desigualmente os desiguais, na medida de suas desigualdades. Entretanto, o poder estatal falha nessa perspectiva, tendo em vista que pessoas que passaram pelo cárcere enfrentam desvantagens adicionais, como estigma social e dificuldade de inserção no mercado de trabalho, o que compromete sua efetiva ressocialização.
Sob esse prisma, o escritor José Saramargo usou o conceito de ‘‘cegueira social’’ para criticar o comportamento egoísta da sociedade. Ademais, sem oportunidades de trabalho, muitos retornam a atividades informais ou ao crime, perpetuando o ciclo de encarceramento. Desse modo, a falta de integração social após a prisão evidencia não apenas uma falha estatal, mas também a omissão da coletividade diante do processo de reintegração à sociedade.
Outro eixo imprescindível é a oferta de educação, capacitação profissional e acompanhamento psicossocial durante e após a pena. Segundo dados do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada, menos de 30% da população carcerária participa de cursos educacionais, evidenciando a lacuna na preparação para o mercado de trabalho. Além disso, programas de cursos técnicos e oficinas dentro do sistema prisional podem ampliar as oportunidades de emprego, enquanto o apoio psicológico e familiar ajuda a reconstruir vínculos essenciais.
Portanto, é urgente que a reinserção social seja tratada como prioridade pública. Para isso, o Estado, em parceria com o setor privado e a sociedade civil, deve implementar programas integrados de capacitação profissional, incentivo fiscal à contratação de egressos, apoio psicossocial e campanhas de combate ao estigma. Só assim será possível transformar penas em oportunidades reais de recomeço, promovendo justiça social e reduzindo a reincidência.