O papel da sociedade na ressocialização de pessoas privadas de liberdade

Enviada em 26/09/2025

“Fuga de Alcatraz” é uma obra cinematográfica que narra a história de três detentos, no qual conseguiram fugir, mas que tiveram suas identidades mudadas para prosseguir suas vidas isentos do julgamento social. Fora dos limites do cinema, o Brasil assemelha-se, quando recebe pessoas privadas de liberdade, de forma abominável. Isso é decorrente do preconceito estrutural e da inoperância estatal, fatores que evidenciam a negligência social no papel de promover a reintegração.

Diante desse cenário, é pertinente afirmar que o preconceito realizado pela população parte de uma prática medieval, quando a Igreja Católica reprimia os presos, e após soltos, ainda eram definidos como pessoas pecaminosas e excluídas em seus direitos básicos. Preconceito histórico no qual culminou atualmente em pessoas voltando para o sistema penitenciário, uma vez que, a sociedade os encara com maus olhos, e, por consequência, os mesmos se conformam com a sua falta de sucesso na ressocialização e voltam ao cometimento de crimes, destacando e enaltecendo a importância do apoio da comunidade na recuperação social.

Além disso, o descaso governamental fomenta o julgamento alheio para com essas pessoas, tendo em vista que o Estado não estimula o recebimento efetivo dos restritos de liberdade, sendo comprovado isso na dificuldade em iniciar um trabalho, devido à ausência de legislação para a tal inserção. O filósofo Michel Foucault menciona que a verdadeira liberdade só se constrói com a reintegração do indivíduo à sociedade, o que torna o papel social crucial para aqueles que retornam depois de um sistema carcerário.

Portanto, é notório quão fundamental se torna o corpo social para a inclusão de detentos. Assim, cabe à Câmara Legislativa, aliada ao Ministério da Educação, criar oficinas profissionalizantes e incluir na grade uma disciplina denominada “Ressocializar”, na qual ensina a combater o preconceito e prepara a sociedade a como receber tais indivíduos, a fim de criar uma nação mais empática e receptiva, longe do preconceito social e da cegueira estatal.