O papel da sociedade na ressocialização de pessoas privadas de liberdade
Enviada em 04/10/2025
Na série “Vis a Vis”, observa-se uma mulher que, ao ser presa, é obrigada a viver em um lugar hostil e, assim, se vê forçada a cometer ainda mais crimes, fato que dificulta sua saída dessa situação. Tal experiência reflete a realidade de muitos brasileiros que passam pelo sistema carcerário do país, uma vez que são inseridos em ambientes violentos e sem infraestrutura adequada. Assim, a negligência governamental e a inserção de presidiários no crime organizado impedem sua ressocialização na sociedade.
Sob esse viés, é necessário destacar a omissão estatal como agravante da exclusão social de ex-detentos. Nesse sentido, cabe citar o sociólogo Pierre Bourdieu, cuja tese defende que as instituições, ao reproduzir desigualdades, reforçam a exclusão social. Com isso, infere-se que a escassez de iniciativas estatais profissionalizantes que busquem fornecer educação e segurança financeira para essa parte do corpo social promove sua marginalização.
Ademais, é imprescindível ressaltar como reclusos estão suscetíveis à participação em grupos criminosos. Nesse contexto vale mencionar que de acordo com a “Agência Brasil”, o aumento de prisões leva ao fortalecimento do domínio de facções em espaços penitenciários. Dessa maneira, uma pessoa, ao ser presa, passa a ter ainda mais contato com a criminalidade e, consequentemente, se envolve com organizações infratoras.
Portanto, vistos os fatores agravantes da problemática, são necessárias medidas para combatê-los. Dessa forma, cabe ao Ministério da Justiça e Segurança Pública - órgão responsável pelo sistema penitenciário brasileiro- promover educação, por meio da disponibilização de cursos técnicos, com a finalidade de melhorar a qualidade de vida dos ex-presos. Além disso, cabe também a promoção de maior fiscalização do meio em que pessoas presas estão inseridas para que não lidem com superlotação e amenizem o contato com organizações criminosas.