O papel da sociedade na ressocialização de pessoas privadas de liberdade

Enviada em 02/10/2025

Para o pensador Nelson Mandela: “Ninguém conhece verdadeiramente uma nação até ter estado dentro de suas prisões”. No Brasil, essa reflexão é pertinente, já que o sistema carcerário reflete não apenas falhas estatais, mas também a omissão social diante do desafio da reinserção de ex-detentos. Assim, urge discutir o papel da sociedade na ressocialização de pessoas privadas de liberdade.

Sob esse viés, é válido ressaltar a importância do trabalho para a ressocialização de pessoas privadas de liberdade. Nesse cenário, o filósofo Foucault afirma que o sistema prisional não deve apenas punir, mas também disciplinar e reeducar para reinserir o indivíduo na sociedade. Destarte, ao oferecer oportunidades de trabalho no cárcere, garante-se não apenas a disciplina defendida por Foucault, mas também a redução da reincidência criminal, uma vez que o indivíduo passa a ter meios de sustento lícito ao deixar a prisão. Logo, o trabalho se mostra ferramenta indispensável para a reconstrução da dignidade e para a segurança coletiva.

Ademais, o papel da sociedade é de suma importância para a ressocialização dos presidiarios. Como afirmou o próprio Nelson Mandela: a educação é a arma mais forte que se pode usar para mudar o mundo. Desse modo, é imperativo educar a sociedade para superar os estigmas impostos aos egressos do sistema prisional, uma vez que o preconceito dificulta sua inserção no mercado de trabalho e perpetua a marginalização. Nessa perspectiva, o sociólogo Erving Goffman, em sua obra Estigma, explica que a rotulação social compromete a identidade do indivíduo e o afasta da convivência coletiva.

Portanto, medidas precisam ser tomadas para a sociedade contribuir na ressocialização dos presidiarios. Logo, é dever do Ministério da Educação criar campanhas de conscientização mostrando a importância da sociedade para a ressocialização dos detentos, A fim de minimizar as dificuldades de inseri-los na vida coletiva e no mercado de trabalho. Essas campanhas serão viabilizadas por meio da publicação de vídeos curtos e impactantes adaptados para as redes sociais, sem som (com legenda) ou com som envolvente. Assim, a sociedade terá um papel fundamental na ressocialização das pessoas privadas de liberdades no Brasil.