O papel da sociedade na ressocialização de pessoas privadas de liberdade
Enviada em 07/10/2025
A série “Vis a Vis” retrata a vida de várias detentas e expõe a dificuldade delas em conseguir empregos durante o período de semiaberto, o que contribui para que muitas delas voltem para o crime, por ser a única solução para sustentar a família. Nesse contexto, a obra explora os diversos preconceitos que existem na sociedade contemporânea, no entanto, esses estigmas só precarizam a situação - pois impedir a ressocialização dessa parcela populacional apenas contribui para a permanência da criminalidade. Dessa forma, é fundamental a implementação de medidas públicas efetivas para reintegrar socialmente este grupo.
Em primeira análise, vale ressaltar que, majoritariamente, a população carcerária tem um estereótipo físico: jovens, negros e pobres, como exposto na música “Diário de um detento” dos Mc’s racionais, o que auxilia a promoção de estigmas aos presos. Sob essa ótica, a obra menciona um dia na visão de um detento, demonstrando a rotina precária e perigosa na prisão, além de expor o sentimento de mudança do preso interrompida pela cruel realidade do pré-julgamento social. Desse modo, a música denuncia o descaso governamental com essa parcela populacional e a necessidade de ressocialização.
Outrossim, salienta-se a importância de uma esfera pública saudável, constituída de comunicação e argumentação, como afirma o filósofo alemão Habermas. Entretanto, as bolhas sociais vigentes extinguem esse cenário de comunicação. Dessa maneira, esse isolamento comunicativo provoca a permanência de estereótipos, o que, por sua vez, prejudica a integração dos presos na sociedade. Portanto, enquanto a população não estiver aberta a compreender o lado do outro por meio da comunicação, a nação não será capaz de se desenvolver plenamente.
Diante dos fatos expostos, para promover a reintegração das pessoas privadas de liberdade, cabe ao Ministério dos Direitos Humanos e Cidadania - órgão responsável por promover, proteger e garantir os direitos humanos, combatendo a discriminação e incentivando a inclusão social - criar um programa de fiscalização do processo seletivo de ex-presidiários, por meio da obrigatoriedade da justificativa formal em casos de recusa de contratação. Assim sendo, será possível obter uma sociedade mais íntegra e comunicativa.