O papel da sociedade na ressocialização de pessoas privadas de liberdade

Enviada em 14/10/2025

Em “Os Miseráveis”, de Victor Hugo, o personagem Jean Valjean, após cumprir pena, é constantemente rejeitado pela sociedade, o que evidencia o poder destrutivo do preconceito sobre quem busca recomeçar. Fora da literatura, o Brasil enfrenta um cenário semelhante: pessoas privadas de liberdade sofrem com a exclusão e a falta de oportunidades, o que compromete sua reintegração social e estimula a reincidência criminal. Nesse contexto, compreender o papel da sociedade na ressocialização é essencial, visto que a construção de uma convivência mais justa depende não apenas do Estado, mas também do engajamento coletivo.

Em primeiro lugar, a ressocialização é um processo que vai além da prisão, pois envolve o reconhecimento da humanidade de quem cometeu erros. No entanto, o imaginário social brasileiro ainda está enraizado em uma lógica punitivista, na qual o castigo é visto como a principal forma de justiça. De acordo com o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), cerca de 40% dos egressos do sistema prisional voltam a cometer crimes, e entre os fatores que contribuem para isso estão a rejeição social e o desemprego. Assim, a ausência de empatia e o estigma fazem com que o indivíduo, mesmo em liberdade, continue aprisionado por barreiras invisíveis impostas pela própria sociedade.