O papel da sociedade na ressocialização de pessoas privadas de liberdade
Enviada em 10/11/2025
“A prisão não é o único caminho para a justiça; é, muitas vezes, o obstáculo para a humanidade.” — Michel Foucault. No Brasil, o sistema prisional, criado para punir e reintegrar, falha em cumprir seu papel ressocializador. A exclusão social e o estigma dificultam a reinserção dos egressos no mercado de trabalho e no convívio social. Diante disso, é possível afirmar que a sociedade é essencial na ressocialização, tanto pela mudança de mentalidade coletiva, quanto pela criação de políticas públicas que unam educação e oportunidades de trabalho.
O preconceito é uma das maiores barreiras à reintegração. Segundo a teoria da rotulação de Howard Becker, indivíduos marginalizados tendem a reproduzir o papel que lhes é imposto. Assim, a rejeição aos ex-detentos reforça o ciclo de exclusão e reincidência criminal. Projetos como o “Começar de Novo”, do CNJ, mostram que o acolhimento social e o acesso a empregos reduzem a criminalidade, comprovando que a empatia e o apoio da coletividade são determinantes para reconstruir trajetórias.
Ademais, a ausência de políticas públicas eficazes agrava o problema. Segundo o Fórum Brasileiro de Segurança Pública (2023), mais de 70% dos presos não têm acesso contínuo à educação. Investir em cursos profissionalizantes, assistência psicológica e parcerias entre escolas e presídios é fundamental. Assim, Estado e sociedade devem agir juntos, transformando o cárcere em espaço de recomeço e dignidade.
Portanto, o Ministério da Justiça, junto às Secretarias de Educação e Trabalho, deve ampliar cursos e programas de capacitação para presos e egressos. O Ministério das Comunicações precisa promover campanhas de conscientização contra o estigma, enquanto ONGs e empresas privadas devem oferecer vagas e acompanhamento psicológico, com apoio de assistentes sociais. Desse modo, a sociedade deixará de marginalizar e passará a reconstruir vidas com empatia e justiça.