O papel da sociedade na ressocialização de pessoas privadas de liberdade

Enviada em 26/10/2025

O série estadunidense ´´Orange Is The New Black´´, produzida pela empresa Netflix, retrata a dificuldade de ressocialização de ex-detentas. Paralelamente, no Brasil atual, nota-se a dificuldade em garantir a ressocialização de pessoas privadas em liberdade. Portanto, faz-se necessária uma análise sobre os principais fatores desta problemática, o histório preconceito aos detentos e a ineficiência estatal vigente.

Primeiramente, percebe-se a perpetuação do preconceito aos privados de liberdade desde o período colonial. Consoantemente, a historiadora Heloisa Starling defende em seu livro ´´´Brasil: uma biografia´´ que desde a construção das primeiras prisões no país, parcela da população prisioneira sofre represálias durante e após o período de privação de liberdade, sendo excluídas da sociedade. Sob esse viés, percebe-se que a permanência deste viés exclusivo aos ex-detentos potencializa novos crimes, visto que, mais de 30% dos presos retornam à praticar crimes devido não conseguirem trabalho devido ao preconceito vivido e à falta de capacitação desta parcela social, conforme exposto pelo Atlas da Segurança. Assim, este fato exemplifica o dano do preconceito aos ex-detendos e à sociedade.

Outrossim, a incapacidade do Estado em garantir ambientes propícios para ressocialização dos privados de liberdade perpetua a desigualdade. Em consoante, o filósofo Nicolau Maquiavél defende que o papel do governante é garantir o bem-estar social. Todavia, menos de 35% dos detentos conseguem algum tipo de educação ou especialização durante seu período prisional, devido à baixa oferta de cursos educacionais no sistema prisional, conforme dados do instituto de combate a violência Sou da Paz. Esse fato exemplifica o Estado como cúmplice da injustiça.

Portanto, urge ação do governo federal para mitigar as dificuldades de ressocialização de pessoas privadas de liberdade. Desta maneira, faz-se necessária ação do Ministério dos Direitos Humanos -órgão responsável pela dignidade humana-, para criar uma campanha, por meio das mídia analógicas e digitais, com intuito de conscientizar a importância da ressocialização de ex-detentos, assim como possibilitar oficínas de profissionalização à esta parcela da população, permitindo a inserção destas pessoas ao mercado de trabalho. Assim, o país conseguirá mitigar o estigma aos ex-detendos, ressocializando-os de mneira justa.