O papel da sociedade na ressocialização de pessoas privadas de liberdade
Enviada em 10/11/2025
No filme À Espera de um Milagre, retrata-se a complexidade da vida no cárcere e as dificuldades enfrentadas por indivíduos privados de liberdade, evidenciando a necessidade de humanidade dentro do sistema prisional. Atualmente, de forma análoga ao filme, observa-se no Brasil que a ressocialização é fragilizada pela estigmatização social e pela ausência de políticas efetivas que integrem os egressos à comunidade. Logo, perante esse entrave, devem ser debelados: o preconceito social e a fragilidade das políticas de reinserção.
Diante do cenário exposto, o preconceito social dificulta a reintegração dos indivíduos que deixam o sistema prisional, uma vez que a sociedade tende a associá-los permanentemente ao passado criminal. Para fundamentar essa ideia, pode-se recorrer ao conceito de “cidadania regulada”, cunhado pelo sociólogo brasileiro José Murilo de Carvalho, em razão da limitação do acesso pleno a direitos, a exemplo da dificuldade de conseguir emprego formal após o cumprimento da pena. Com base nisso, diante desse impasse, é necessário promover campanhas de conscientização que estimulem a inclusão dos egressos.
Outrossim, é notório que a fragilidade das políticas públicas de reinserção compromete o processo ressocializador. Sob a ótica de Darcy Ribeiro, entende-se que sociedades desiguais tendem a reproduzir ciclos de exclusão que inviabilizam oportunidades. A partir dessa perspectiva, pode-se compreender que a falta de programas de capacitação e de acompanhamento contínuo contribui para a reincidência, sobretudo em regiões periféricas. Frente a isso, torna-se essencial o fortalecimento de iniciativas que garantam suporte educacional e profissional.
Infere-se, portanto, que o preconceito social e a fragilidade das políticas de reinserção configuram-se como dois desafios para a efetiva ressocialização de pessoas privadas de liberdade, o que compromete sua reintegração cidadã. Partindo desse pressuposto, o Ministério da Justiça, responsável por coordenar ações voltadas ao sistema prisional, deve implementar programas de capacitação por meio de parcerias com instituições educacionais e empresas, com o objetivo de ampliar oportunidades de trabalho digno. Por fim, espera-se reduzir a reincidência e promover inclusão social.