O papel das ONGs frente às causas sociais

Enviada em 08/01/2021

A obra “Utopia”, do escritor inglês Thomas More, retrata uma esfera social ideal, na qual o corpo social padroniza-se pela ausência de conflitos e obstáculos. Entretanto, no panorama vigente, é observável a anulação dos princípios reverberados por More, uma vez que a sociedade brasileira inviabiliza o papel das Organizações não Governamentais (ONGs) frente às causas sociais. Nesse sentido, convém uma análise tanto do setor da informação midiática quanto do individualismo dos cidadãos. Desse modo, faz-se necessário apresentar a importância da ajuda comunitária no país.

Em primeiro plano, Theodor Adorno- sociólogo alemão- disserta sobre a chamada “Indústria Cultural”, que designa o conjunto de estratégias empresariais capazes de influenciar a conduta cidadã. Nessa perspectiva, o setor da produção midiática se torna fortemente presente na rotina contemporânea dos indivíduos, de modo que ocorre a perpetuação da lógica exposta por Adorno, causando a elevação da imobilidade frente às causas sociais. À luz desse pensamento, o alto contato com plataformas informativas que visam o lucro permitiu a persuasão relacionada à compra de produtos, proporcionada por propagandas televisivas, as quais nutrem uma certa alienação de consumismo da cultura de massa e, consequentemente, a eliminação do ideal de ajuda comunitária. Com efeito, nota-se o intenso índice de pessoas vivendo em condições precárias no território pátrio.

Em segundo plano, evidencia-se que no livro “Ensaio sobre a Cegueira”, o escritor José Saramago afirma que a sociedade incentiva a insensibilidade pelo próximo ao fechar os olhos para problemas importantes, parafraseando o ditado: “O pior cego é aquele que não quer ver”. Nesse ínterim, o egocentrismo populacional tem sido materializado na conjuntura hodierna, haja vista que muitos institutos sem fins lucrativos são vistos com desdém perante a coletividade, posto que grandes empresários, médicos e advogados- de alto poder aquisitivo- não realizam doações, visando apenas interesses pessoais e status. Sendo assim, projetos altamente efetivos, como os de combate à fome, moradores de rua e maus-tratos aos animais são limitados por insuficiência monetária.

Evidencia-se, portanto, que medidas devem ser tomadas com o objetivo de potencializar o trabalho voluntário. Para isso, a mídia- grande difusora de informação e principal veículo formador de opinião- deve, por intermédio de verbas governamentais, investir na abordagem da questão da importância das ONGs em sociedade, inserindo a divulgação em Facebook, Instagram e televisão, com o propósito de maior incentivo ao ato de doar para a população carente. Em adição, cabe ao Ministério do Desenvolvimento Social o compromisso com a realização de palestras nas empresas, de maneira que modifique o paradigma em questão. Por fim, haverá o ambiente equilibrado nos parâmetros de More.