O papel das ONGs frente às causas sociais
Enviada em 06/10/2021
Na obra “Utopia”, do escritor Thomas More, é retratada uma sociedade perfeita, na qual o corpo social padroniza-se pela ausência de conflitos e de problemas. No entanto, o que se observa na contemporaneidade é o oposto do que o autor prega, uma vez que a pouca importância dada ao papel das ONGs frente às causas sociais representa barreiras, as quais dificultam a concretização dos planos de More. Diante dessa perspectiva, faz-se imperiosa a análise da inoperância estatal e da alienação, fatores que favorecem esse panorama.
Convém ressaltar, a princípio, a negligência estatal frente a essa questão. Nesse sentido, convém citar o lamentável episódio, ocorrido em 2019, em que Jair Bolsonaro, atual Presidente da República, responsabilizou o Greenpeace pelos vazamentos de óleo no litoral do Nordeste, sem qualquer tipo de evidência, o que constitui “fake news”. Dessa forma, o Estado brasileiro, ao adotar uma postura de oposição às ONGs, impossibilita inovações e criatividade na elaboração de soluções para problemas complexos e que afligem a sociedade, como a geração excessiva de lixo e a extinção de espécies, tendo em vista o potencial das organizações não-governamentais para a resolução desses percalços. Essa conjuntura, segundo o sociólogo Émile Durkheim, configura-se como um fato social patológico, uma vez que a inoperância estatal acarreca o agravamento dessas problemáticas, o que impacta, de modo nocivo, o pleno desenvolvimento da sociedade. Esses aspectos, infelizmente, são notórios no País.
Ademais, é pertinente apontar que a alienação impulsiona esse quadro deletério. Nesse viés, o sociólogo Zygmunt Bauman, em sua obra “Modernidade Líquida”, evidencia que a falta de solidez nas relações sociais, econômicas e políticas da pós-modernidade propicia a alienação dos indivíduos. Isso ocorre porque o mal - a oposição e a indiferença frente ao papel das ONGs pelo crédito às “fake news” lançadas sobre elas - acaba por se tornar comum, menos visível, mais insidioso e, consequentemente, naturalizado. Logo, é inadmissível que essa realidade continue a perdurar.
Depreende-se, portanto, a necessidade de combater essas adversidades. Para isso, o Executivo, por meio da propagação midiática de materiais educativos, tem o dever de esclarecer ao corpo social a indispensabilidade das organizações não-governamentais para o Brasil, a fim de reduzir a credibilidade dada às fake news, estimular doações e incentivar a adesão de voluntários. Assim, serão possibilitados grandes benefícios à coletividade, como maior fiscalização quanto ao cumprimento dos direitos humanos, incentivo à reciclagem e ao consumo consciente e tratamento e conservação de espécies ameaçadas, uma vez que o Estado combate a elencada patologia social, tal como nomeia Durkheim.