O papel das ONGs frente às causas sociais

Enviada em 22/10/2021

A Constituição Federal de 1988, norma de maior hierarquia do sistema jurídico brasileiro, assegura aos cidadãos o direito à saúde, à segurança, à educação, à moradia e à dignidade humana, cabendo ao Estado tomar medidas que viabilizem essas garantias. Todavia, no que tange às causas sociais, muitas vezes, as autoridades políticas falham na promoção desses pressupostos, ganhando notoriedade o papel das OGNs, visto que possuem grande alcance social. Tal fato é perceptível, tanto pela atuação mais direta, quanto pela desburocratização do processo que elas proporcionam.

Em verdade, causas de grande relevância na sociedade impõem, em sua maioria, que haja participação em campo, não somente legislativa. Sob esse viés, quando Paulo Freire, educador brasileiro, afirma que ninguém liberta ninguém, mas que as pessoas se libertam em comunhão, ele postula uma analogia a necessidade do envolvimento dos indivíduos em problemas sociais para minimizá-los. Dessa forma, as leis detém relevância imensurável na seguridade dos direitos, mas ações que completem e ajudem sua legitimidade, como o trabalho desenvolvido pelas OGNs, a exemplo da distribuição de alimentos e de cobertores as pessoas sem teto, são imprescindíveis. Assim, a falta de divulgação e discussão sobre o processo realizado por esses órgãos impede que a população os conheçam, bem como que possam ajudá-los com doações, haja visto que são instituições que não objetivam lucro financeiro.

Outrossim, os programas assistencialistas governamentais são conhecidos por suas burocracias, problemática que não se faz presente com tanta intensidade nas OGNs. Nessa perspectiva, na novela brasileira “I Love Paraisópolis”, é retratado o trabalho das organizações não governamentais em uma comunidade do Rio de Janeiro, sendo perceptível a agilidade para atuarem. Dessa maneira, a atividade de inserção, de inclusão e de distribuição é mais rápida e eficiente, pois as comprovações cadastrais são menos rigorosas do que as estabelecidas pelo Governo. Contudo, abrange um contingente menor, pois dependem da filantropia, tendo que haver a voluntariedade dos cidadãos para o trabalho.

Destarte, com o intuito de mitigar os entraves supracitados, é mister que as instituições educativas, centros irradiadores do conhecimento crítico, promovam a discussão sobre as ONGs e o papel realizado por elas, por meio de feiras culturais e de rodas de conversas abertas ao público externo, com o fito de informar a população e de apoiar as causas desses órgãos. Além disso, em conjunto, é impreterível que a mídia, figura de grande alcance e persuasão, por intermédio das propagandas, e em parceria com digitais influencers, divulgue, explique e alerte sobre a necessidade do voluntariado e das doações, a fim de estimular o trabalho desenvolvido por elas e expandir sua relevância ao grande público.