O papel das ONGs frente às causas sociais

Enviada em 23/10/2021

“Mafalda”, personagem criada pelo cartunista Quino, demonstra, ainda na infância, sua grande preocupação quanto aos cuidados com questões sociais. Entretanto, a importante lição altruísta de Mafalda está longe de se tornar real, uma vez que a falta de apoio com Organizações Não Governamentais (ONGs) responsáveis prejudicam à exercerem seu papel na defesa de direitos humanos, contra as desigualdades e injustiças sociais. Para desconstruir esse cenário nefasto, faz-se crucial mitigar não só a negligência do Estado, como também a falta de zelo do corpo social.

Sob esse viés, é fulcral analisar a postura governamental frente ao descaso com as ONGs. A esse respeito, o contratualista John Locke afirma em sua teoria do “Contrato Social”, que é dever do Estado garantir o bem-estar coletivo. No entanto, devido à baixa atuação das autoridades em fiscalizar os recursos distribuídos com essas organizações, o desvio de dinheiro é uma danosa realidade. Tal fato é evidenciado pelo caso do deputado catarinense Celso Antonio, já preso, acusado de desviar recursos públicos das ONGs que seriam destinados ao esporte. Dessa forma, enquanto houver indiferença do governo, o “Contrato Social” proposto por Locke jamais será efetivado.

Ademais, a indiferença da população em ajudar o próximo mostra-se empecilho para diminuição dos problemas sociais. Para o sociólogo Zygmunt Bauman, a “Modernidade Líquida” descontrói sentimentos como consideração e empatia: fatores cruciais para a harmonia entre as pessoas. Essa afirmação confirma o individualismo humano, uma vez que, preocupados consigo mesmos, muitos indivíduos ignoram os trabalhos voluntários com ONGs responsáveis, recrudescendo as desigualdades sociais. Assim, se a liquidez - duramente criticada por Bauman- não ceder lugar para o fortalecimento da empatia, muitos grupos marginalizados ou discriminados perderão ajuda dessas organizações que por meio de ações que lhes garantiam direitos.

Entende-se, portanto, que as ONGS desempenham papel importante na sociedade brasileira. Nesse sentido, o Poder Público -importante órgão garantidor dos direitos do cidadão- deve fiscalizar melhor a distribuição de verbas e criar por meio do Ministério da Educação, campanhas disseminadas nas mídias sociais e digitais realizadas por representantes de ONGs responsáveis, com o intuito de divulgar a importância dessas organizações. Além disso, essa ação também contribuirá para que a população desenvolva uma postura mais solidária nessa discussão. Assim, far-se-á jus ao cuidado pelas questões sociais prezado pela personagem Mafalda.