O papel das startups de educação no Brasil.
Enviada em 04/09/2019
Na década de 1990, surgiu o programa “Telecurso 2000” cujo objetivo era ajudar o público que não tinha concluído o ensino fundamental e médio. Assim como esse programa, atualmente também existem iniciativas direcionadas à educação: são as chamadas “edtechs”. Nessa conjuntura, tais “startups” possuem papel fundamental tanto para diminuir o índice de desemprego quanto para democratizar o acesso à educação. No entanto, a atuação dessas empresas no país ainda é pequena, o que demanda disposições do setor público e midiático nesse cenário.
A princípio, é preciso delimitar como “startups” de educação são importantes para o desenvolvimento do país. Nesse sentido, em um mundo globalizado, dominar a tecnologia não é um diferencial, mas uma necessidade. Desse modo, empresas de educação sobressaem-se aos métodos tradicionais de ensino, pois incluem a tecnologia no processo de aprendizagem. Por essa razão, contribuem para diminuição do “darwinismo tecnológico”, conceito sociológico que trata do fenômeno da não inclusão de pessoas que não acompanham técnicas modernas no mercado de trabalho. Além disso, muitas plataformas de ensino como cursinhos pré-vestibulares online, por exemplo, possuem preços acessíveis ao público de baixa renda, fato que promove a democratização do ensino no Brasil.
Por outro lado, mesmo diante de benefícios, as “edtechs” ainda não são tão conhecidas e incentivadas no cenário brasileiro. Sob esse aspecto, a mídia tem influência direta, visto que é formadora de opinião e, segundo a teoria da “agenda setting”, dos estudiosos McCombs e Shaw, é a partir do que é veiculado nas televisões que as pessoas selecionam os assuntos mais relevantes e passam a conhecer determinadas realidades. Dessa forma, ao dar pouco destaque a essas empresas, o público não toma conhecimento da existência delas e não usufrui dos seus serviços. Além disso, o excesso de impostos e a alta burocracia estatal são obstáculos ao surgimento de “startups” e um empecilho para que elas exerçam seu papel na sociedade.
Fica claro, portanto, que as “edtechs” são promissoras, mas contam com alguns entraves. Para contorná-los, cabe às emissoras de televisão explorar o tema de maneira a causar interesse no público, por meio da divulgação em telejornais e programas de entretenimento de histórias de pessoas que mudaram de vida depois de se especializarem com cursos dessas empresas, com vistas a fazer os telespectadores conhecerem os serviços. Ademais, o Ministério do Trabalho deve investir em parcerias público-privadas, mediante supressão de alguns impostos, a fim de incentivar a atuação das “edtechs” no mercado brasileiro. Assim, iniciativas que começaram com o “Telecurso 2000” e que agora existem nas “startups” poderão crescer e proporcionar a todos uma educação moderna e transformadora.