O papel das startups de educação no Brasil.

Enviada em 07/09/2019

Os versos da canção “Another Brick In The Wall”, da banda “Pink Floyd”, aludem para um sistema educacional engessado, no qual o aluno é tolhido de autonomia. Traçando paralelos com a realidade, apesar da autonomia do estudante ser fundamental e o acesso à educação de qualidade ser um direito constitucional, no Brasil, ainda prevalece, em demasia, um sistema educacional que ceifa as possibilidades do pleno desenvolvimento do estudante. Em contra ponto a esse panorama, surgiram startups na área da educação, que possuem um papel tanto social quanto cultural.

A priori, o panorama social da educação é, majoritariamente, segregacionista. Isso é exemplificado pela prevalência, como atestam os microdados do INEP, de escolas particulares nos rankings de desempenho no Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM). Nesse contexto, as startups de educação (doravante edtechs) emergem, felizmente, como forma de mudar esse panorama, ou seja, as edtechs fornecem conteúdos de qualidade e com acesso mais amplo, para todos os meios sociais. Logo, é fundamental a atuação de edtechs para redução da segregação educacional.

Outrossim, a contexto educacional brasileiro é submetido à uma cultura que desestimula a criticidade e autonomia do aluno. Isso é possível pela manipulação sutil do comportamento dos estudantes que, conforme o filósofo Michel Foucault, representa uma prática de biopoder, uma vez que o estudante assume um papel passivo e submisso, desestimulado quanto a sua capacidade de aprender de forma livre - autodidata. Com isso, as edtechs fornecem a possibilidade de o estudante adotar uma postura ativa e, de fato, livre para buscar o conhecimento como lhe convir. Por consequência, as edtechs podem representar uma mudança importante de hábitos culturais.

Portanto, torna-se clarividente que o papel das startups de educação no Brasil deve ser estimulado. Em razão disso, a fim de reduzir a segregação educacional, o Governo, em parceria com as edtechs, deve criar políticas públicas para ampliar o acesso à educação ampla e de qualidade, por meio da criação de programas de incentivo ao uso de edtechs - como programas de bolsa e expansão das edtechs para áreas mais remotas. Em outra frente, ONGs (relacionadas a educação) devem desconstruir a noção de que há somente um meio de estudar, o que pode ser feito com uso de postagens informativas em redes sociais - como o Instagram, que possui ampla visibilidade social -, com o fito de expor as possibilidades que as edtechs propiciam no que tange o aprendizado do aluno. Destarte, a educação no Brasil tornar-se-á distante da realidade aludida pela canção “Another Brick In The Wall.”