O papel das startups de educação no Brasil.
Enviada em 02/10/2019
Com o advento da Revolução Técnico-Científico-Informacional, inúmeras transformações foram consolidando-se, a saber, as startups, que trouxeram novas concepções de ensino e aprendizado para a pedagogia. Atrelada a essa inovação, surgiram discussões embasadas tanto na ideia de avanço nas técnicas educacionais, quanto no receio de ser um retrocesso ao mercantilizar a educação, atribuindo-a somente valores econômicos, esquecendo-se de oferecer uma educação de qualidade e acessível.
A priori, a imagem que se tem da sala de aula é de extrema imobilidade, didática tradicional com a monopolização da fala pelo professor, não permitindo assim o diálogo entre os docentes e discentes, pois, nesse modelo somente o mestre é detentor do saber. Por outro lado, a Educação 4.0 tem como objetivo dinamizar essa relação, tendo como base as Startups - empresas de tecnologia da informação - no ramo educacional. Desse modo, plataformas de ensino como “Descomplica” e “Sala do Saber” são apresentadas como alternativas de estudo para pessoas que não possuem um horário flexível, exigido nos cursos físicos, ou para estudantes que não se adaptam bem ao ensino rígido das instituições atuais. Dessa forma, atuam democratizando o acesso a uma educação de qualidade, auxiliando, assim, o Estado, na promoção de um país com melhores índices educacionais, o qual, de acordo com uma pesquisa da Pearson International, ocupa o 39º lugar de 40 países analisados.
Entretanto, como a “moeda” do mundo globalizado é a informação no meio digital, há muitas dúvidas se o interesse das startups é democratizar a educação ou mercantilizá-la. A saber, no mercado existem muitos negócios que operam visando somente lucros - característica do capitalismo burguês - e mascaram-se com ideais de ONGs que visam promover melhoria de vida. Contudo, mesmo que não exista uma regulamentação oficial para o meio digital, há outras alternativas, como sites especializados em denunciar empresas que defraudam seus consumidores, fazendo com que a reputação caia e consequentemente, ocorra uma menor adesão de assinaturas. Enfim, não se pode desconsiderar os benefícios trazidos por essas startups, pois, mesmo inseridas em uma lógica de acumulação financeira, é necessário oferecer um serviço de qualidade para continuar operando.
É imprescindível, portanto, o papel do Governo, por meio do Ministério da Educação, na promoção de cursos de aperfeiçoamento para docentes com o uso de tecnologias na sala de aula, além de incentivar parcerias com plataformas de estudo, visando, dessa forma, atrair a atenção dos discentes, e facilitar o aprendizado. Além disso, o Estado deve embasar leis, por intermédio do Congresso Nacional, para a ingerência das startups na educação, tendo como base o marco civil da internet, objetivando filtrar empresas com ética educacional e incentivar um ensino democrático e atingível.