O papel das startups de educação no Brasil.
Enviada em 07/09/2020
O Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas, SABRAE, define “startup” como “um grupo de pessoas à procura de um modelo de negócios repetível e escalável”. Assim, sabe-se que, ao redor do mundo, nomes como UBER, SPOTIFY e NUBANK vêm revolucionando diferentes setores de serviços. No Brasil, podemos afirmar que as startups são uma promessa para a melhoria da Educação, pois combinam interatividade com dinamismo e baixos custos.
Em primeiro lugar, é importante destacar que as empresas de tecnologia têm se mostrado grandes aliadas da Educação por oferecerem bons resultados a baixos custos. Por isso, é cada vez maior a procura por seus serviços, geralmente oferecidos à distância, nos mais diferentes níveis: reforços escolares, línguas estrangeiras, cursos rápidos, pré-vestibulares, graduações e pós-graduações. Como exemplo, uma reportagem da revista Veja indica que, em 2016, 1,5 milhões de pessoas cursavam uma graduação à distância. Um dos motivos para isso é que, de acordo com a mesma fonte, enquanto em 2018 a mensalidade média de um curso de ensino superior na modalidade EAD era de 265 reais, na presencial esse valor foi de 799 reais.
Mas não é apenas devido aos preços mais atrativos que a procura por serviços de startups vêm crescendo de forma promissora. Sua versatilidade e rapidez de adaptação também são trunfos. Assim, a flexibilidade de horários e a utilização de bancos de dados com informações precisas do desenvolvimento e frequência de cada participante permitem a criação de produtos moldáveis de acordo com o tempo disponível, formas de aprendizado e diferentes necessidades de cada um. Num país em que os números indicam baixo índices de aprendizagem, e em que historicamente a escola compete com a necessidade de se trabalhar, tais características devem garantir que as startups se consolidem como grandes aliadas na melhoria do ensino, desde que não sejam usadas como desculpas para o sucateamento e a desvalorização da escola.
Entretanto, num mercado que ainda crescerá muito, caberia uma maior participação do Estado, não limitando, mas incentivando e democratizando o acesso a tais ferramentas. Uma possibilidade seria, portanto, o Ministério da Educação investir na criação de universidades abertas, garantindo que cursos de diferentes áreas e níveis fossem ofertados a todos, na modalidade EAD, de forma gratuita, e com diplomas válidos para fins profissionais. Faria isso utilizando as Universidades Públicas já existentes, que receberiam aportes financeiros e de mão de obra para garantirem tal oferta numa proporção maior do que a de hoje. Dessa forma, seria possível alcançar, ao menos virtualmente, o ideal da educação acessível à todos, diminuindo privilégios e aumentando o nível de escolarização do brasileiro.