O papel das startups de educação no Brasil.

Enviada em 13/12/2020

De acordo com a ativista Malala Yousafzai, a educação é uma ferramenta de emancipação e possibilita a liberdade plena. Nesse sentido, no cenário brasileiro hodierno, observa-se a expansão das startups atuantes no âmbito das soluções educacionais. Tal crescimento é corroborado, sobretudo, pela facilidade de acesso proporcionada aos estudantes, além das notórias modificações das relações sociais, provocadas pelo advento das tecnologias contemporâneas.

Em primeiro plano, é imperioso destacar a admirável acessibilidade inerente às startups de educação. Sob esse prisma, com o surgimento da Revolução Técnico-Científico-Informacional no século XX, surgiram novas formas de gerenciamento da produção industrial, pautadas na redução de custos e de processos burocráticos. Nesse viés, semelhante racionalização intensificou-se nos dias atuais e estendeu-se, também, às startups educacionais, que buscam soluções inovadoras aos usuários, baseadas na difusão facilitada de suas ferramentas. Dessa maneira, devido à abreviação dos custos e das etapas de produção de conteúdo - exemplificada pela falta de necessidade de grandes instalações físicas - os preços dos serviços ofertados caem, logicamente, de maneira considerável, possibilitando maiores acessos de indivíduos pertencentes a diferentes classes sociais.

Ademais, as transformações das relações sociais contemporâneas influenciam diretamente a temática em pauta. Sob tal ótica, o sociólogo Zygmunt Bauman ressalta que o advento das novas tecnologias ocasionou o enfraquecimento das ligações interpessoais, mediante o intenso fluxo informacional característico da contemporaneidade. Diante disso, observa-se que a utilização das startups de educação como ferramenta de estudos reflete um cenário de maior independência, por parte dos estudantes, em relação à interação presencial com os professores, visto que os recursos tecnológicos substituem, em parte, funções que anteriormente cabiam aos docentes. Desse modo, evidencia-se, também, o valioso papel das startups quanto ao estímulo da autonomia no aprendizado.

Portanto, demonstra-se a relevância do debate acerca da temática em questão. Logo, a fim de estimular a utilização das startups educacionais pelos estudantes, como ferramenta de auxílio ao aprendizado, cabe ao Ministério da Educação a elaboração de parcerias público-privadas, voltadas à divulgação das empresas, com diferentes edtechs. Isso deve ocorrer mediante a comprovação - por meio de relatórios estatísticos - da eficiência educacional da startup em foco, tendo em vista a necessidade da homogeneização interdisciplinar quanto à qualidade de ensino. Por conseguinte, será possível catalisar os papéis de acessibilidade e de autonomia inerentes às edtechs e, assim, efetivar plenamente a perspectiva supracitada por Malala.