O papel das startups na mobilidade urbana brasileira.

Enviada em 20/10/2019

A invenção da roda estabeleceu um marco para a civilização humana e revolucionou a forma de locomoção de nossa espécie. De maneira análoga, hodiernamente, os frutos do desenvolvimento de métodos locomotivos podem ser observados em todas as partes, com ênfase nas grandes metrópoles, que ainda sofrem com os males da mobilidade. A partir de problemas como engarrafamentos, surgem as startups, novos personagens que visam modificar o atual cenário por meio de inovações. Contudo, pode-se observar duas problemáticas no que tange ao surgimento dessas novas empresas: a velocidade com a qual surgem no cenário nacional e a negligência dos usuários.

A priori, é preciso entender que uma startup trabalha com inovações e um método de produção de fácil repetição. Sendo assim, observa-se nos últimos meses, uma difusão de formas alternativas de locomoção fornecidas pelas startups do meio locomotivo, com enfoque no patinete elétrico, muito popular nos grandes centros urbano. Assim como pensava Heráclito, filósofo pré-socrático, a essência do mundo é o movimento, o que pode ser observado na forma como o patinete elétrico chegou às ruas: de maneira rápida e desorganizada, mais rápido do que a legislação para esse tipo de veículo, o que gerou uma série de acidentes e um mal estar diário nas ruas. Dessa forma, o poder público deve continuar a dar visibilidade a essas empresar e fornecer contorno a posteriores desavenças.

Outrossim, os usuários dos novos veículos tem apresentado comportamento irresponsável ao fazerem uso desses. Esse comportamento se deve, em teoria, a um senso comum de que não há perigo em veículos como o patinete elétrico e bicicletas e deixam de utilizar capacetes e demais itens de segurança pessoal, o que contribuiu para o estabelecimento do cenário que, segundo o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), contou com mais de 500 acidentes no primeiro semestre de 2019. Além disso, a forma como esse comportamento se alastrou nas cidades assinala o perigo da banalidade na negligência dos pilotos, o que se relaciona com o pensamento do filósofo empirista Francis Bacon, que defende o comportamento humano como algo vicioso.

A partir do exposto, o governo deve, por meio do poder legislativo, portanto, discutir e aprovar leis que integrem o Código de Trânsito Brasileiro (CTB), de maneira a abranger esses surgimentos que advém das modernas startups, além de promover alterações no sistema de multas para que estas se tornem mais rigorosas. Ademais, concerne aos meios de informação como jornais e telejornais difundir os riscos de não se utilizar equipamentos de proteção através de fatos e dados dos acidentes. Somente assim, a população irá se conscientizar e a roda, patrimônio da inteligencia humana, deixará de ser uma pedra no cotidiano brasileiro.