O papel das startups na mobilidade urbana brasileira.

Enviada em 19/04/2020

Com o governo de Jucelino Kubtschek, a produção do automóvel pelas empresas multinacionais filiadas no território brasileiro foi intensificada e este se tornou um produto altamente consumido, modificando o espaço urbano. Analogicamente, o impulsionamento da criação de startups no Brasil vem transformando a vida nas cidades com a sua inovação e praticidade, se mostrando como uma alternativa para os problemas relacionados à mobilidade urbana. No entanto, a infraestrutura insuficiente das cidades, a legislação precária e as elevadas taxas de vandalismo e furto destes transportes evidenciam o atraso na mentalidade de parte da população e põe em questão se o brasileiro estaria apto a desfrutar dessa tendência. Deste modo, convém analisar os benefícios e os desafios do crescimento desta nova tendência no Brasil.

Em primeira análise, os dados do Observatório das Metrópoles demonstram que entre os anos de 2002 e 2012, enquanto a população brasileira aumentou 12,2%, o número de veículos registrou um crescimento de 138,6%, o que resulta em congestionamentos demorados no trânsito, dificuldade de locomoção e intensa poluição atmosférica. Diante disso, o uso de patinetes elétricos, o aluguel de bicicletas e semelhantes surgem como uma alternativa mais prática e sustentável, diminuindo o fluxo de carros nas rodovias, reduzindo as emissões de carbono e o consumo de automóveis. É indubitável afirmar, portanto, que as startups têm contribuído para melhorar a mobilidade urbana no Brasil.

Todavia, esta nova tendência carece com a falta de preparação em relação ao público e por parte das cidades. A falta de legislação contribui para provocar acidentes pelo uso indevido destes transportes, o que demonstra a necessidade de punição e fiscalização adequadas. As cidades brasileiras, também, em geral, não possuem ciclovias suficientes para atender a demanda e garantir o tráfego seguro. Por último, o vandalismo, assim como o furto e a venda destes transportes, se faz presente, o que exige que as empresas desenvolvam melhores mecanismos de segurança e rastreamento, assim como uma melhor fiscalização por parte do governo.

Dessarte, embora os desafios ainda sejam muitos e o brasileiro não pareça estar preparado para esta tendência, a inovação e a busca pela formação de cidades sustentáveis que garantam a mobilidade urbana eficiente, segura e de fácil acesso deve ser buscada.  As empresas devem criar restrições para diminuir o número de acidentes e tecnologias para evitar o furto e a revenda de seu produto. Os governos municipais que permitirem a ação destas empresas devem garantir a infraestrutura adequada e a devida fiscalização quanto ao uso destes transportes, e incentivar denúncias quanto à infrações.