O papel das startups na mobilidade urbana brasileira.

Enviada em 30/03/2020

Segundo a Câmara de Comércio França Brasil, o morador de São Paulo costuma gastar uma hora e 44 minutos em média por dia no trânsito da cidade. Enquanto o transporte coletivo avança em velocidade lenta, a frota de carros na capital paulistana, por exemplo, dobrou em dez anos e a de motos subiu 150%. A situação caótica na mobilidade urbana é decorrente de um processo histórico inconsistente, a qual demanda medidas inovadoras para a resolução de problemas intrínsecos às cidades brasileiras. Dessa forma, as “startups” - pequenas empresas que disponibilizam veículos compartilhados - atuam com o propósito de conciliar qualidade de vida e urbanização. No entanto, o vandalismo explícito sobre as ferramentas dessas empresas, bem como a falta de estrutura urbana impedem uma atuação efetiva dessas companhias.

Na obra “Raízes do Brasil" do sociólogo Sérgio Buarque de Holanda, o autor afirma que o colonizador português entendeu a colônia brasileira como um simples território de exploração comercial desorganizado. Essa ideia exploratória propiciou ao longo dos anos um rápido crescimento econômico desencadeando na grande concentração de pessoas nas zonas urbanas brasileiras, onde a ausência de um sistema de transporte eficiente intensifica o processo desordenado de urbanização. Portanto, as “startups” auxiliam nessa problemática, já que buscam a priorização de modos de transportes coletivos e não motorizados, de maneira efetiva, socialmente inclusiva e ecologicamente sustentável.

Os pequenos transportes ofertados pelas “startups”, como patinetes e bicicletas, são alvos constantes de depredação devido a ineficiente fiscalização das leis explícitas no Código Penal brasileiro que penalizam atos de vandalismo, além das pessoas não estarem seguras ao usufruírem dessa micromobilidade diante da falta de estruturas de circulação que estabeleçam limites entre carros, bicicletas e patinetes . Com isso, devido à inércia das autoridades, os indivíduos que utilizam dos novos modais de transportes estão suscetíveis à constantes acidentes e vandalismos, assim dificultando que as “startups” contribuam, de fato, para o desenvolvimento do espaço urbano.

O problema na efetivação das “startups” na mobilidade urbana encontra respaldo no descaso estatal e legal. Portanto, o Poder Legislativo, órgão responsável pela elaboração e regulamentação de leis, deve instituir postos de fiscalização nas regiões de maior mobilidade através de projetos de leis que reforcem a responsabilidade dos municípios nessa questão, com o intuito de identificar e punir, de forma efetiva, os praticantes de vandalismo, corrigindo a impunidade presente. O Governo, por meio de maiores investimentos, deve criar melhores estruturas de circulação nas cidades, como ciclovias bem sinalizadas, de modo a permitir uma maior segurança para os condutores dos pequenos transportes.