O papel das startups na mobilidade urbana brasileira.
Enviada em 23/05/2020
A Carta Magna de 1988 assegura o direito à mobilidade urbana a todos os cidadãos. Entretanto, a alta densidade de automóveis em conurbações urbanas impede que parte da população brasileira consiga desfrutar desse direito constitucional em sua totalidade. Nesse contexto, a perpetuação dessa realidade reflete um quadro desafiador para o panorama mobilístico brasileiro, seja pela ineficiência estatal, seja pela irresponsabilidade cívica.
Mormente, é evidente que o principal fator dessa problemática encontra-se vinculado à carência de estratégias estatais. Sob esse viés, o sociólogo polonês Zygmunt Bauman afirma, “em sua obra Modernidade Líquida”, que algumas instituições, a exemplo do Estado, perderam sua função social, mas tentam conservá-la a todo custo. Dessa forma, pode-se afirmar que o ínfimo investimento em transporte públicos, tal qual a falta de ciclovias e faixas especializadas para ônibus, força parcela da população brasileira a adquirir um automóvel, muitas vezes um carro, que raramente será utilizado por mais de uma pessoa, o que infla o trânsito brasileiro. Tristemente, a ineficiência governamental apenas intensifica a aglomeração de carros e a morosidade nas ruas e rodovias.
Outrossim, parte da população também contribui para um cenário desastroso. As startups, empresas joviais e criativas, vêm com a ótima ideia de atenuar esse problema e atender a demanda de mobilidade, na medida em que fornecem patins e patinetes para as pessoas se locomoverem. Todavia, atitudes irresponsáveis de certos indivíduos, como o desuso de equipamentos de proteção e o uso em lugares inapropriados, causam acidentes e podem, inclusive, levar ao óbito, como o que aconteceu em Belo Horizonte, onde o engenheiro Roberto Batista morreu ao cair de um patinete. Destarte, enquanto não existir fiscalização no uso desses meios alternativos de transporte e locomoção, fatalidades continuarão a acontecer.
Urge, portanto, uma solução definitiva para esse problema. Para isso, cabe ao Ministério da Infraestrutura(antigo Ministério dos Transportes) melhorar o transporte público brasileiro, mediante a ampliação de faixas destinadas a ônibus, do aumento da frota e pela redução da passagem, indo, assim, a favor de um transporte urbano mais acessível e célere, com menos carros nas cidades. Além disso, o Ministério da Segurança Pública tem a importante missão de fiscalizar o uso de transportes oriundo de startups, mediante a concessão de fiscais os quais devem averiguar se o cidadão estará usando corretamente equipamentos de segurança e se locomovendo nos lugares certos, caso contrário uma multa deverá ser aplicada. Dessarte, será possível atenuar os problemas relacionados à mobilidade urbana, atestando a Constituição Federal do país.