O papel das startups na mobilidade urbana brasileira.

Enviada em 25/05/2020

A Carta Magna de 1988 assegura o direito a mobilidade urbana a todos os cidadãos. Todavia, a morosidade no trânsito em conurbações urbanas evidencia que nem toda a população consegue gozar desse direito constitucional. Nesse contexto, as startups têm exercido um papel fundamental no que tange à acessibilidade e celeridade mobilística urbana, seja criando meios alternativos de locomoção, seja despoluindo a cidade.

Mormente, é evidente que a raíz desse problema encontra-se atrelada à ineficiência estatal. A esse respeito, o sociólogo polonês Zygmunt Bauman afirma, em sua obra “Modernidade Líquida”, que algumas instituições, a exemplo do Estado, perderam sua função social, mas tentam conservá-la a todo custo. Dessa forma, pode-se afirmar que a ineficiência de um sistema público de transporte, tal qual a carência de faixas destinadas à ônibus, força que parte da população adquira um automóvel que, na maioria das vezes, é um carro usado somente por uma única pessoa, o que não só aumenta a densidade de automóveis, mas polui a cidade, o que contribui para a formação de engarrafamentos e a locomoção em centros urbanos. O papel das startups, porém, é essencial: empresas já trabalham na ideia de atenuar essa problemática, como a criação de uma rede de patinetes, os quais são alugados e devolvidos em pontos da cidade, além de aplicativos de carona, os quais motoristas ajudam pessoas a irem para destinos próximos aos dele.

Outrossim, as startups fazem um trabalho muitíssimo mais saudável para o meio ambiente. Essas empresas normalmente trabalham com meios mais sustentáveis, como o uso de móveis que usam o próprio esforço humano(bicicletas, patins, patinetes), e o melhor: sem a poluição gasosa dos carros e ônibus tradicionais, o que colabora para descontaminar o ar demasiadamente poluído dos centros urbanos, principalmente, nas capitais brasileiras. Na cidade de São Paulo, por exemplo, dados do Ministério do Meio Ambiente de 2015 comparam que inalar o ar da metrópole é como fumar dois maços de cigarro por dia. Nesse sentido, a presença dessas empresas é essencial para a elaboração de uma cidade mais sustentável e menos poluída.

Urge, portanto, a participação ativa das startups na locomoção urbana. Para isso, o Ministério da Infraestrutura(antigo Ministério dos Transportes), instituição a qual tem o poder de planejar o funcionamento das cidades, deve dar suporte a essas empresas, mediante a realização de uma parceira público-privada, na qual o Ministério tem o dever de regularizar e fiscalizar as startups, tal qual divulgar o trabalho delas na mídia(TV, Outposts e Outdoors). Assim, poder-se-á atenuar a densidade de carros nas cidades e ir a favor de cidades mais limpas e sustentáveis.