O papel das startups na mobilidade urbana brasileira.

Enviada em 24/09/2020

O termo “startup” foi criado no final dos anos 1990 durante a chamada “Bolha da Internet”, e atualmente designa empresas iniciantes com alguma ideia inovadora que adota um modelo de negócios de baixo custo, repetível e escalável. Essas novas empresas chegaram à área da mobilidade urbana, e devido à sua proposta de micromobilidade (meios de transporte individuais), representam uma importante iniciativa na direção de melhorar os problemas do sistema de transporte urbano.

Tomando como exemplos desses problemas o imenso número de veículos nas vias urbanas, a superlotação do transporte coletivo e a geração massiva de poluição atmosférica pelos automóveis, ficam muito claras as vantagens do uso alternativo de meios de transporte ecológicos junto ao serviço de locação a baixo custo oferecido por essas startups. A desoneração dos gastos públicos decorrentes do sistema tradicional de mobilidade urbana também é uma consequência desso novo modelo de mobilidade, bem como a diminuição de fatores patogênicos como a exposição a poluentes liberados por motores a combustão.

Contudo, há vários desafios na implementação desse conceito: falta de infraestrutura para a circulação dos veículos elétricos, ausência de regulamentação adequada e segurança dos usuários, que ficam mais expostos a acidentes. Associada a tudo isso, a inexistência de uma cultura de uso da micromobilidade urbana ligada às tecnologias digitais, tanto por parte dos administradores públicos quanto da população em geral. Ainda assim, o crescente número desses veículos circulantes revela que essa é uma tendência promissora e que sua adoção pelo público já está em curso.

Portanto, devido aos benefícios que as startups de mobilidade urbana podem trazer à sociedade, urge adequar-se os espaços urbanos à esse novo conceito. Essa tarefa cabe ao Estado, fornecendo infraestrutura adequada como a construção e ampliação de ciclovias, e criando regulamentação para o uso de veículos elétricos individuais através do Poder Legislativo. Paralelo a isso, as empresas e os órgãos públicos de transporte devem, em conjunto, criar estratégias para melhorar a segurança dos usuários e iniciar uma campanha de popularização de uso desses veículos pela população como forma de promoção da saúde e do meio-ambiente. Dessa forma, a sociedade poderá usufruir do potencial dessa nova abordagem de transporte e os empreendedores terão um mercado profícuo para atuar.