O papel das startups na mobilidade urbana brasileira.

Enviada em 05/11/2020

No livro " O direito à cidade" de Henry Lefebrve, o autor externa que o usufruto do espaço urbano é sobretudo um direito coletivo que confere nova forma de organização ao espaço urbanístico. No entanto, a realidade da mobilidade urbana brasileira distancia-se da ideologia apresentada na obra ao se constatar que locomover-se é um desafio diário na maioria das ruas do país. Nesse contexto, as startups de micromobilidade são benéficas para solucionar os entraves envoltos na problemática, que residem tanto na carência de investimentos na área quanto na difícil mudança da mentalidade coletiva.

Em primeiro plano, vale ressaltar que de acordo com a premissa do historiador brasileiro Lenadro karnal, todo aquele que propõe a exclusão do outro é considerado bárbaro. Nesse viés, tal barbárie é observada diariamente no trânsito por meio da ausência de meios que viabilizem a circulação alternativa de pessoas. Diante disso, essa deficiência ocorre em razão do pouco ou inexistente investimento estatal em projetos de mobilidade sustentável. Entretanto, as startups são uma ótima solução para esse problema, tendo em vista que são empresas inovadoras de baixo custo e crescimento acelerado que infelizmente, ficam à margem da maioria dos planos governamentais.

Em segunda análise, é fundamental pontuar que a mobilidade urbana contemporânea requer drásticas mudanças de mentalidade para ser de fato efetiva. De acordo com o escritor britânico Aldous Huxley, os fatos não deixam de existir por serem ignorados. Isso explica porque ainda há tantos impedimentos na locomoção do brasileiro, já que os ideais consumistas em relação aos automóveis, tão impregnados nesse meio, impedem que a implantação de locomoções alternativas seja bem sucedida. Como consequência, não só o tempo é perdido no trânsito caótico dos grandes centros, mas também a saúde psicológica, afetada pelo estresse e a física, prejudicada pelas grandes emissões de CO2.

Infere-se, portanto, a urgente necessidade de remodelar a dinâmica crítica supracitada. Para tanto, o Estado deve direcionar mais investimentos em startups de micromobilidade por meio de medidas provisórias que efetivem tal obrigatoriedade a fim de aprimorar a mobilidade urbana brasileira de forma alternativa. Ademais, a mídia, com tal poder influenciador, deve ceder espaço para que as startups possam trabalhar a mudança de mentalidade do público alvo por meio de propagandas elucidativas sobre a importância da mudança de hábitos consumistas  de locomoção para os mais sustentáveis. Assim, será possível alcançar uma realidade que se aproxime da teorizada por Lefebrve, na qual o direito à cidade será realmente efetivo para todos.