O papel das startups na mobilidade urbana brasileira.
Enviada em 28/12/2020
Herdeiros do futuro
A Constituição Federal brasileira de 1988 assegura a todos o direito de ir e vir. Entretanto, após o “boom demográfico” desse mesmo século, tornou-se necessário assegurar também uma maneira ágil e sustentável dos filhos da pós-modernidade usufruirem dessa mobilidade. Desse modo, os “Nóes” do século XXI desenvolvem startups como o Uber ou a Grins, em busca de otimizar o tempo gasto no trânsito e/ou controlar as pegadas ecológica e de carbono do Homo sapiens.
Há aproximadamente 200 anos, apenas 3% da população era urbana. Mas segundo a Organização das Nações Unidas, até 2050, cerca de 70% da população mundial viverá em cidades, exemplificando que a explosão demográfica vem acompanhada de um crescente êxodo rural. Isso resulta em centros urbanos mais populosos e, consequentemente, uma exponencial demanda por meios de transporte bem planejados e não projetos mal arquitetados que ligam nada a lugar nenhum com um gasto exacerbado de tempo.
Tendo em vista tal assertiva, as empresas fruto da globalização lançam ao mercado brasileiro maneiras alternativas de locomoção, substituindo a demora dos transportes públicos pela economia de tempo de chamar um Uber ou o sedentarismo e a emissão de CO2 por patinetes elétricos. Nesse sentido, tendo como base pesquisas da USP, de 2019, essas startups acabam por redesenhar a geografia e a economia dos centros urbanos nacionais. Além de exigirem inconscientemente dos estados brasileiros rodovias com rotas planejadas e espaços para ciclovias e transportes alternativos, o que diminui a falta de mobilidade nas cidades e introduz opções mais sustentáveis de transporte.
Para além disso, o geógrafo Milton Santos apregoava que o mundo não é formado apenas pelo que existe, mas pelo que pode efetivamente existir. Sendo assim, é condição “sine qua non” que as startups prossigam em desenvolvimento dentro do cenário nacional e em completa metanóia no quesito mobilidade. Para que isso ocorra, é dever dos Parlamentares e do Poder Executivo assegurarem políticas públicas favoráveis ao desenvolvimento dessas empresas, por meio de aberturas comerciais e acordos que visem, em médio e longo prazo, aumentar a produtividade econômica, a mobilidade urbana e o desenvolvimento sustentável da nação verde e amarela. Só assim , o amanhã idealizado pelo Governo brasileiro para os seus herdeiros do futuro será plenamente efetivado.