O papel das startups na mobilidade urbana brasileira.

Enviada em 05/11/2022

Gregório de Mattos, poeta luso-brasileiro, ficou conhecido como “Boca do Inferno” por denunciar os problemas que o assolavam no século XVII. Talvez hoje, ao se deparar com a problemática na mobilidade urbana do Brasil, o autor produziria críticas a respeito, uma vez que o entrave precisa ser mitigado no âmbito social. Procura-se entender, portanto, de que modo a negligência governamental e a irracionalidade da população agravam o problema.

O primeiro aspecto a ser analisado é, sem dúvidas, a inoperância estatal para com um planejamento adequado nas ruas das principais metrópoles brasileiras. Partindo disso, esse óbice é retratado na música “Brasil Colônia”, da banda Oriente: “Lágrimas de sangue escorrem dos filhos desse solo e irrigam este solo; crianças pedem colo e a pátria-mãe se isola”. Nesse sentido, a música denuncia o não cumprimento de direitos constitucionais, já que o governo, por estar focado nos interesses de uma elite dominante e visar o lucro, não elabora um planejamento ordenado das urbes, o que causa uma maior movimentação nos principais centros e dificulta a mobilidade urbana adequada. Assim, o Estado não cumpre o seu dever de “pátria-mãe” e os desafios permanecem.

Outrossim, a irracionalidade por parte da população também encontra-se como fator agravante do problema. Isso acontece porque a falta de reflexão acerca da necessidade de cumprimento das leis de trânsito molda as ações dos indivíduos a depender de seus interesses próprios, prejudicando o direito de ir e vir dos cidadãos e causando acidentes de trânsito. Esse comportamento pode ser observado pelo conceito de “Banalidade do Mal” trazido pela filósofa Hannah Arendt, em que uma atitude hostil, se ocorre constantemente, passa a ser vista como banal pela sociedade. Isso, de fato, evidencia a irracionalidade supracitada.

Diante dos fatos supracitados, faz-se necessário, pois, que o governo - como instância máxima de administração executiva - desenvolva medidas para mitigar o problema social em questão. Tais medidas devem conter ações de planejamento das cidades por meio da parceria com engenheiros responsáveis, bem como a realização de “Workshops” em escolas e abertos ao público, com palestras e atividades lúdicas, para que a população seja elucidada e o entrave seja atenuado.