O patriotismo em questão no Brasil

Enviada em 18/10/2019

Na obra “Triste fim de Policarpo Quaresma,” de Lima Barreto, a personagem principal, de mesmo epíteto do livro, é constantemente criticada pela sociedade da época pelo seu exacerbado nacionalismo. Hodiernamente, na vida real, observa-se, infelizmente, que o Brasil, ao contrário da literatura, enfrenta diversos problemas relacionados à falta de patriotismo. São fatores que contribuem para essa problemática, o exemplo ruim oferecido pelos governantes, aliado ao papel omisso da escola na formação de cidadãos amantes da sua pátria.

Nesse contexto, a questão do egoísmo presente nas esferas governamentais, ou seja, legislar em causa própria em detrimento do bem da população, sempre foi um problema brasileiro. Ademais, a sociedade brasileira é, constantemente, “bombardeada” com escândalos de lesa à pátria, como os recentes, apelidados pela grande mídia de: mensalão, petrolão, sanguessugas, máfia dos correios etc. Aliado a isso, tem as prisões de políticos importantes da história recente, como o ex-presidente da Câmara dos Deputados Eduardo Cunha e do ex chefe do Executivo nacional Luís Inácio Lula da Silva. Consequentemente, isso cria um sentimento nacional de descrédito em relação ao próprio país, visto que, o exemplo nefasto dos governantes, impede o florescimento do patriotismo no Brasil.

Outrossim, a escola também auxilia no processo de deteriorização do sentimento nacionalista. Isso acontece porque as instituições de ensino não incentivam as crianças a valorizarem o que é nacional desde a primeira infância. Segundo Immanuel Kant, “é no problema da educação que assenta o grande segredo do aperfeiçoamento da humanidade.” Nesse viés, o pensamento do filósofo alemão confronta a realidade brasileira, visto que, as escolas, na busca por esse aprimoramento social, ensinam, por exemplo, Karl Marx, August Comte, Max Weber, ao passo que pensadores brasileiros como Marilena Chauí, Luís Felipe Pondé, Olavo de Carvalho, dentre tantos outros são negligenciados, o que demostra, dessa maneira, que o papel da escolarização no fortalecimento do amor à pátria não é satisfatório.

Diante desse cenário, é imprescindível que o Ministério da Educação em consonância com o Poder Legislativo adotem medidas para atacar frontalmente a questão da falta de patriotismo no Brasil. Para isso, este deve estabelecer o fim do foro privilegiado e punições mais severas para crimes praticados por políticos, enquanto aquele ensina, nas escolas, a valorização da pátria, dos símbolos nacionais, da língua, tradições, pertencimento etc, tudo isso, a fim de desconstruir no espírito da nação o sentimento de estar servindo à um país que não serve à população, ao mesmo tempo em que jovens e crianças aprendem, nas escolas, a serem verdadeiros patriotas. Somente assim será possível a construção de uma sociedade com indivíduos amantes da pátria, assim como o pobre Policarpo Quaresma.