O patriotismo em questão no Brasil

Enviada em 23/10/2019

O movimento “Pau Brasil”, vertente da escola modernista, incitou a exaltação às riquezas brasileiras, e culminou, também, a valorização da cultura nativa frente ao contexto de ruptura com as tradicionais correntes europeias. Contudo, nos dias atuais, a perspectiva do reconhecimento aos próprios costumes, no Brasil, apresenta-se de maneira antagônica ao referido no século XX. Diante desse panorama, é possível ressaltar que o patriotismo é sinônimo de uma estrutural autodepreciação, que, unida a escassez de políticas educacionais de culto ao país, perpetuam a problemática nacional.

Em primeiro plano, há de se analisar que a constituição da identidade brasileira conjectura-se ao legado histórico paramentado em tal processo. Isso porque, a ausência na sensação de pertencimento da sociedade brasileira estrutura-se, sobretudo, diante da segregação populacional que perdurou o Brasil. Nesse aspecto, não é complexo resgatar o cenário da República da Espada, que, emergente no fim século XIX, correlacionou a nova estrutura à ínfima participação popular. Cumpre, assim, a seguinte prerrogativa: enquanto a bestialização do povo - postulada por Lima Barreto - for regra na estrutura territorial, a adesão ao patriotismo, no palco verde e amarelo, será exceção. Depreende-se, logo, a ruptura dessa problemática.

De outra parte, é importante ressaltar que a irrisória presença educacional na formação patriótica dos alunos está atrelada ao enraizamento do descrédito em resistência no país. A saber, o atual currículo pedagógico é deficiente no que diz respeito à implementação do autoconhecimento nativo, e imprime, em demasia, projetos de teor eurocêntrico. Com isso, a impermeabilidade do sentimento patriota é calcado desde a infância, e constitui uma comunidade dissociada do enaltecimento da própria nação. Tal ruptura, dessarte, atribui um valor antagônico ao expresso na “Canção do Exílio”, já que Casimiro de Abreu demonstra o louvor às virtudes encontradas no brasileiro.

É, portanto, indubitável perceber que o patriotismo, no Brasil, é uma questão socioeducacional e deve ser liquidada. Para tanto, cabe ao BNDES, em parceria com as Secretarias Estaduais de Cultura, promover programas que resgatem a memória nacional, por meio de exposições em museus, peças teatrais e demais atribuições artísticas, que, se implementadas de forma gratuita, poderão atingir maior camada da população, além de impulsionar o conhecimento da própria cultura. Ademais, é papel do MEC reformular a Base Nacional Comum Curricular (BNCC), de forma que emulsione um maior número de disciplinas socioculturais, em que atividades lúdicas sejam aplicadas aos alunos, corroborando o domínio da formação histórica brasileira, ampliando, também, o  conhecimento de seu desenvolvimento identitário. Assim, será possível resgatar o comportamento de valorização surgido no “Pau Brasil”.