O patriotismo em questão no Brasil

Enviada em 19/10/2019

Na obra “O triste fim de Policarpo Quaresma”, de Lima Barreto, a personagem citada sofre injustiças devido ao seu patriotismo pelo Brasil, sendo até julgado como louco. Como reflexo dessa ficção, a realidade brasileira contemporânea é bem semelhante, visto que o sentimento de pertencimento à pátria não é compartilhada por grande parte do país.

Em primeiro plano, é importante ressaltar que problemas socioeconômicos podem ser os protagonistas da falta de patriotismo de determinado local. Desse modo, a descrença pela melhora de questões relacionadas à corrupção e desigualdade social, por exemplo, corroboram para o afastamento da identificação com o próprio país, além de contrariar os valores contidos na primeira fase do Modernismo brasileiro, em que seus representantes procuravam valorizar e aceitar as riquezas do território.

Ademais, pontua-se as relações efêmeras atuais como parte da contribuição para a ausência de patriotismo, já que elas repercutem no contato entre o cidadão e os símbolos nacionais. Nota-se essa perspectiva nas obras sobre Modernidade Líquida, de Zygmunt Bauman, em que ele aponta a tecnologia como mola propulsora de relações superficiais entre as pessoas e, nesse caso, entre a nação e o ser humano.

Evidencia-se, portanto, que o não exercício do sentimento de pertencimento à pátria provoca um retrocesso no país. Logo, é de suma importância que o Governo Federal realize medidas para que as questões socioeconômicas sejam solucionadas, como punições severas para casos de corrupção e mesmas oportunidades de emprego e moradia à sociedade a fim de reacender a esperança por um país melhor. Instituições educacionais, inclusive, têm papel fundamental no ensino sobre as riquezas e símbolos nacionais, ajudando a promover a ação da cidadania desde cedo nos jovens.