O patriotismo em questão no Brasil

Enviada em 24/10/2019

Segundo Ralf Dahrendorf, filósofo alemão, “a anomia é uma condição onde as normas reguladoras do comportamento das pessoas perderam sua validade”. Nessa perspectiva, dadas as alterações que causa no espectro social, o excesso de patriotismo, assim como sua falta, configura uma condição de anomia. Em suma, o sentimento patriótico de um determinado país reflete seu estado de satisfação com o respectivo governo. Desse modo, o equilíbrio entre as forças sociais e políticas confere à nação, meios para o exercício saudável do patriotismo.

Precipuamente, o período colonial brasileiro é marcado pela eclosão de movimentos oriundos da falta de unidade nacional vivida na época. Prova disso é Inconfidência Mineira, revolta separatista ocorrida em Minas Gerais. Assim, motivado pelos altos impostos conferidos pelo governo imperial à população, tal movimento visava separar esse estado do restante do país. Dessa forma, nota-se que a negligência na promoção do bem-estar popular - incumbência do Estado, conforme o artigo 3 da carta Magna de 1988 - acaba por coibir o sentimento de pertencimento à pátria.

Faz-se mister, ainda, salientar o patriotismo exacerbado como óbice. Nesse viés, o ufanismo nazifascista que, suscitado por Adolf Hitler e Benito Mussolini, na Alemanha e Itália, respectivamente, pôs fim à vida de milhões de pessoas. Dado o exposto, percebe-se que o exercício do nacionalismo pode, também, fomentar a ascensão de teorias como o darwinismo social, segundo a qual determinadas etnias são mais evoluídas em detrimento de outras. Por conseguinte, o patriotismo, quando mal orientado, corrobora negativamente com o progresso de uma nação e, em última análise, pode implicar no que, segundo o iluminista inglês John Locke, é um direito inalienável do homem, a vida.

Portanto, é fulcral uma tomada de medidas que solucionem o impasse. Assim, o Governo deve, por intermédio de pesquisas públicas, realizadas, por exemplo, pelo IBGE, tornar-se ciente dos problemas enfrentado hodiernamente pelos cidadãos. Destarte, pode-se melhor empenhar recursos na resolução dessas adversidades, suscitando o sentimento de pertencimento nacional e o exercício do patriotismo. Ademais, como já dizia o economista francês Robert Turgot, o princípio da educação é pregar com o exemplo. Logo, urge que o Ministério da Educação promova nas escolas, feiras com profissionais, tais como historiadores e sociólogos, que discutam e evidenciem as mazelas do ufanismo exagerado a fim de incitar a prática consciente do amor à nação e, por consequência, inviabilizar a anomia descrita por Dahrendorf.