O patriotismo em questão no Brasil
Enviada em 21/10/2019
‘‘Brasil: ame-o, ou deixe-o!’’, dizia o famoso slogan de uma propaganda do período ditatorial tupiniquim, que durou de 1964 até 1985. Naquela época, houve um intenso movimento, por parte do Estado, de construção de uma rígida identidade nacional, que envolvia, acima de tudo, o amor à pátria. Paralelamente, mais de duas décadas após a redemocratização brasileira, o debate sobre patriotismo nunca esteve tão em voga no país. Assim, é lícito afirmar que se por um lado, a paixão pela nação evoca sentimentos e atitudes positivas, por outro, abre espaço para movimentos radicais e posturas nocivas.
Em primeiro plano, evidencia-se, em parcela de brasileiros patriotas, atitudes benéficas ao país. Prova disso são os mutirões voluntários de limpeza das praias afetadas pelo atual vazamento de óleo em estados da região Nordeste e a solidariedade vista no resgate às vítimas do desastre de Brumadinho, em Minas Gerais. Desse modo, percebe-se que o patriotismo é, além do sentimento incondicional de paixão pelo país, praticar atos que impactem positivamente a vida de outros cidadãos. Logo, é substancial o incentivo, seja do Estado, seja de organizações privadas, para que ações dessa natureza possam ocorrer em todas as esferas da sociedade brasileira.
Por outro lado, o patriotismo, lamentavelmente, esconde um lado sombrio: posturas e movimentos fascistas podem existir, baseados numa ideia errônea de superioridade. Foi esse contexto que surgiu a hoje extinta ‘‘Ação Integralista Brasileira’’, partido fundado em 1932 e influenciado por ideais radicais italianos e alemães daquela época. Dessa forma, ao adotar o lema ‘‘Deus, Pátria e Família’’, os integralistas conjuravam os brasileiros a lutar contra supostas ameaças externas, como o comunismo e a influência econômica estrangeira no Brasil. Ao traçar um comparativo com a atualidade, nota-se que pensamentos integralistas ainda se fazem presentes de modo velado pois, muitas vezes, a aversão a imigrantes refugiados e parcerias comerciais com regimes de esquerda - como Cuba e Venezuela - são mal vistas pela sociedade.
Infere-se, portanto, que os aspectos positivos do patriotismo devem ser encorajados, ao mesmo tempo que os pontos negativos devem ser combatidos. Posto isso, o Ministério da Cidadania deve, por meio de um amplo debate entre Estado e sociedade civil, realizar ações que estimulem o engajamento dos brasileiros em práticas favoráveis ao país, como trabalho voluntário em Organizações Não Governamentais e hospitais, a fim de impulsionar uma rede solidariedade, que alinhará patriotismo à ação conjunta. Ademais, tal Ministério deve também, nessas ações, combater, mediante palestras e seminários, crenças patriotas radicais que estimulam o preconceito e a desinformação.