O patriotismo em questão no Brasil
Enviada em 21/10/2019
A palavra ufanismo é um neologismo da língua portuguesa brasileira, criada em alusão a obra “Porque me Ufano do Meu País”, de autoria do Conde Afonso Celso. Nesse sentido, o termo é visto como um exagero desmedido do amor à pátria e caracterizado por sentimentos de arrogância e superioridade. Com efeito, é fato que o patriotismo no Brasil, muitas vezes, acaba assemelhando ao ufanismo e trazendo prejuízos nefastos ao país, ou seja, formam uma sociedade mais individualista e intolerante.
Em primeiro plano, é importante destacar que o patriotismo excessivo co contribui para a falta de valorização ao outro e reforçam o isolamento dos indivíduos em grupos que não reconhecem no outro um semelhante,mas sim uma ameaça. Sob esse viés, o filósofo Adam Smith afirmava em linhas gerais, que as ambições individuais levam a nação ao progresso. No entanto, o pensamento de Smith não deve ser aplicada à engrenagem brasileira, pois corrobora ainda mais para uma comunidade individualista e egocêntrica, aspecto tão presente em ideários “ultrapatriotas”. Assim, é incontrovertível que a falta de alteridade atrelado ao sentimento análogo ao ufanismo dificultam a construção do Estado Democrático de Direito.
Por outro plano, o sentimento patriótico exacerbado distancia o legado que a Terra Tupiniquim seria um lugar hospitaleiro e cordial, já que acompanha comportamentos intolerantes. Sob esse viés, o artigo cinco da Constituição Federal assegura que todos indivíduos se constituem iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza. Entretanto, mesmo em uma República Federativa, o Brasil possui amarras que impedem a aceitação da diversidade. A exemplo de tal fato, são as constantes discussões entre ideologias de esquerda e de direita que o país carrega, e que em diversas vezes terminam em brigas e violência. Portanto, enquanto o patriotismo intolerante for realidade, a heterogeneidade da população será negada.
Mediante ao elencado,concluí-se que o “ultrapatriotismo” possui diversas mazelas e deve ser combatido. Sendo assim, a escola de ensino fundamental, devido ao seu papel formador de indivíduos, compete, por meio de atividades lúdicas e aulas direcionadas, incentivar práticas benevolentes que estimulem a coletividade e a alteridade, a fim de mitigar posturas individualistas entre alunos. Ademais, a mídia, mediante novelas e seriados, compete transmitir e propagar conteúdos que repudiem ações ufanistas adjuntas à intolerância,bem como elucidar o conceito de respeito mútuo e consciência moral para a população, com o objetivo de engajar positivamente os cidadãos com relação ao tema. Dessa forma, o Brasil caminhará, enfim, para um país hospitaleiro e cordial.