O patriotismo em questão no Brasil
Enviada em 23/10/2019
Brás Cubas, defunto-autor de Machado de Assis, diz, em suas “Memórias Póstumas”, que não teria filhos, a fim de nunca ter de transmitir os legados das misérias humanas. Analogamente, a forma como a população está segregada devido a crítica situação econômica e a cegueira com relação a realidade social, enquadram-se no posicionamento da personagem, uma vez que se constituem como desafios a serem superados para mitigar os problemas relacionados ao patriotismo em questão no Brasil. Assim, é necessário discutir os aspectos políticos e sociais da questão, em prol do bem-estar social.
Vale ressaltar, em princípio, que a situação econômica atual é um fator determinante para a persistência da problemática. A esse respeito, pesquisas realizadas pela fundação Getúlio Vargas, revelam que se a situação financeira do país continuar como está atualmente, a década de 2011 a 2020 será a pior dos últimos 120 anos. Nesse sentido, é notório que a crise econômica faz desenvolver na população um sentimento de patriotismo e revolta, fazendo com que os indivíduos se separem em grupos como “esquerda” e “direita”, culpando uns aos outros pela situação crítica atual.
A posteriori, é substancial discutir como o excesso de patriotismo pode omitir a realidade. Nessa lógica, a obra cinematográfica A Onda relata a história de um grupo de alunos submetidos a um teste por seu professor, o exame consistia em criar um regime político no qual todos os estudantes deveriam estar inseridos. Entretanto, o teste sai do controle quando o professor tenta acabar com a associação dos alunos e o grupo torna-se ultranacionalista e autoritário. Fora da ficção, a realidade brasileira encontra-se próxima a crise apresentada no filme, devido a situação política frágil que o Brasil se encontra, grupos sociais tomam atitudes em nome do patriotismo, entretanto, tais atitudes são prejudiciais a sociedade como um todo.
Dessa forma, medidas exequíveis são necessárias para conter o avanço dos problemas envolvendo o patriotismo em questão no Brasil. Com o intuito de dar fim a sociedade segredada e para evitar uma autocracia em território brasileiro, urge que o Estado, especificamente o Ministério da Educação e Cultura (MEC) desenvolva, por meio de verbas governamentais, aulas e palestras no ensino médio, mostrando que o patriotismo não deve ser usado como desculpa para atitudes barbaras, cabendo ao professor de filosofia a responsabilidade de encaminhar o raciocínio dos alunos para que os próprios estudantes cheguem a conclusão de que suas atitudes devem ser feitas por meio da lógica. Dessa maneira, a sociedade irá tornar-se mais justa e coesa e deixará um legado que Brás Cubas se orgulharia em transmitir.