O patriotismo em questão no Brasil

Enviada em 22/10/2019

O patriotismo — sentimento de amor à terra dos pais — foi estabelecida na sociedade brasileira com a Proclamação da República, em 1889. Todavia, substancial parcela da população confunde o que é ser patriota e o que é ser nacionalista, invertendo o significado delas. Esse equívoco, desencadeia um retrocesso ao desenvolvimento de uma nação patriota e prejudica o reconhecimento da importância desse sentimento para a conquista de um país melhor. Assim, um diálogo entre o Estado e a sociedade, é medida que se impõe.

A princípio, a visão desorientada que a população tem do patriotismo é a confusão entre esse e o nacionalismo, os quais se diferem drasticamente quanto as suas origens, práticas e propostas. Nesse contexto, o cidadão patriota seria aquele que valoriza as manifestações culturais e que não concorda necessariamente com as decisões do Estado, mas que busca reivindicar melhores condições de vida, além de exigir das autoridades melhorias para a nação. Já o conceito de um indivíduo nacionalista é ter uma obsessão pela pátria, o que reflete em um preconceito e aversão às outras nações — xenofobia. Nesse sentido, essa confusão conceitual acaba omitindo a devida importância do patriotismo e comprometendo seu desenvolvimento na nação.

Outrossim, a definição de “semiformação” evidencia a influência que é aplicada sobre o indivíduo. Sendo criado por Theodor Adorno — filósofo e teórico —, juntamente com a noção de “Indústria Cultural”, esse conteúdo de semiformção é revelado por meio da consciência dos indivíduos, que leem e ouvem os anúncios e discursos dos meios e comunicação e deixam se levar pela reprodução continuada sem exercer seu papel de cidadão crítico. Assim, é notório que os meios de comunicação — televisão, rádio, internet — são premissas para o desenvolvimento de indivíduos sem subjetividade e totalmente dominados pelo quarto poder: a mídia. Dessa forma, enquanto o patriotismo for sinônimo de nacionalismo, haverá uma retrocesso no desenvolvimento de uma nação favorável.

Urge, portanto, que os próprios cidadãos desenvolvam juntos o desejo de transformar o país em uma nação justa e igualitária, tendo em mente a distinção correta do patriotismo e do nacionalismo, a fim de que possam diferenciá-los. Além disso, é necessário que cada pessoa desenvolva senso crítico sem se contaminar com conteúdos que desestabilizam o seu modo de pensar e para não se encaixarem no conceito de semiformação proposto por Adorno. Com efeito, a partir do desenvolvimento do senso crítico, os brasileiros experimentarão o verdadeiro civismo.