O patriotismo em questão no Brasil

Enviada em 23/10/2019

O Uruguai, no sentimento de união de um povo, cultiva há séculos um patriotismo tão latente que conseguiu sua independência frente a nações gigantes como a Espanha, o Brasil e a Argentina. Nas terras tupiniquins, diferente do nosso vizinho, houve um processo de formação desintegrado e desunido, em que começa nas capitanias e se propaga até na independência, pela manutenção do império. Este passado cria um Estado pouco patriota, problema que se agrava pela falta de cidadania do povo, o qual cobra muitos direitos, mas esquece dos deveres.

Primeiramente, é preciso olhar para a história se quisermos entender o problema da falta de patriotismo no Brasil. A formação de várias identidades emancipadas explica essa questão, basta ver, por exemplo, como o surgimento de Pernambuco sobre os engenhos do açúcar, passando por uma influência holandesa e coronelista; é extremamente diferente de São Paulo, erguido por bandeirantes e desenvolvido na força do café e de imigrantes. Tal diferença gerou séculos de regionalismos, refletidos inclusive em movimentos separatistas como a Confederação do Equador, os quais não foram apagados pelos anos de república.

Para agravar tal problema, o Brasil busca um quase paternalismo estatal o qual provenha seus direitos, mas esquece seus deveres; fato gerador de um cidadão que não pratica a cidadania, esta que é ação fundamentadora do patriotismo. Isso ocorre  por uma questão cultural, como defendia Sérgio Buarque de Holanda no “Homem cordial”, tese a qual afirma que o brasileiro coloca as relações pessoais acima de normas e da ética; o que propicia não a construção de uma imagem de Estado normativo como representação da união do povo, mas sim como intimista e provedor somente de direitos individuais. Logo, por estar nessa função, não desperta na população a vontade dela também fazer sua parte para o bem público em geral.

Em suma, é certo dizer que o patriotismo é fundamental para a força de qualquer Estado, como foi para o Uruguai. Portanto, é preciso que o povo brasileiro, embora tão plural, entenda que é único como nação. Para tanto, é preciso uma mudança estrutural e educacional , logo, cabe ao Governo Federal integrar as diferentes culturas do país, através do MEC, que deve promover intercâmbios entre os estados e debates sobre tal questão dentro de sala, seja nas escolas ou universidades. É preciso também a criação, por meio do poder executivo, de centros de integração locais que possam despertar a cidadania nas pessoas, através do olhar ativo delas sobre o bem público, podendo-se citar ortas comunitárias ou centros de debate, por exemplo.