O patriotismo em questão no Brasil

Enviada em 22/10/2019

O livro “Triste fim de policarpo quaresma” de Lima Barreto versa sobre um homem extremamente patriótico que tenta a todo custo resgatar e enaltecer as características marcantes do Brasil. No entanto, ao logo da narrativa, o personagem após muito lutar por esse ideário, acaba sendo preso e desacreditando na pátria que tanto sonhou. Paralelamente, apesar de ser uma ficção, retrata, na contemporaneidade, o desencantamento e a ausência do patriotismo de muitos brasileiros em relação ao país.Tal fator decorre, devido à falta de valorização dos aspectos culturais do território nacional, bem como os inúmeros casos de corrupção que tem posto em questão os valores patrióticos da sociedade.

Convém salientar, a princípio, que embora o país tenha um acervo cultural vasto e heterogêneo ainda há um desprestígio muito grande, principalmente frente ao culturalismo internacional. Isso advém desde o período colonial, no qual com a vinda da família real portuguesa houve o enaltecimento das características socio-culturais europeias em sobreposição aos aspectos nacionais. Nesse sentido, ao longo dos anos, os resquícios dessa desvalorização da cultura nacional, gera no cidadão o que o escritor Nelson Rodrigues intitula de complexo de vira-lata, visto que para ele o brasileiro se coloca, voluntariamente, em uma posição inferior em comparação com o restante do mundo, pois não se identifica com a sua própria identidade.Logo, valorizar esse multiculturalismo já na fase inicial de vida é de suma importância para enaltecer o sentimento patriótico entre os indivíduos.

Em outro aspecto, os constantes escândalos de corrupção também contribuem para o sentimento anti-patriótico no Brasil. Uma vez que, o cidadão ao desacreditar nos governantes, bem como nas instituições que regem o Estado faz com que gere uma apatia à pátria. Isso pode ser comprovado quando se menciona o índice de mais de 160%, de acordo com a Receita Federal, de pessoas que migraram e desejam migrar para outros países em decorrência do país ser considerado um lugar injusto para se viver honestamente. Nesse viés, o Estado ao não desenvolver uma política de transparência, em consonância como uma educação moral  e cívica da população, contribui para o impasse.

Portanto, percebe-se que o patriotismo é uma construção social e exercitar no indivíduo o sentimento de pertencimento à cultura e sociedade é imprescindível. Para tanto, é cabível que o Ministério da Educação e Cultura (MEC) promova nas escolas projetos semestrais de ida a museus, teatros e aldeias indígenas, com o fito do aluno esteja em contato mais direto com essa multiculturalidade para que  assim, desde cedo ele possa desenvolver uma identidade com o país que está inserido.Ademais, esse mesmo agente deverá inserir cartilhas e promover debates sobre os valores morais nas escolas, com o fito de amenizar a corrupção. Desse modo, caminhar-se-ia para o Brasil que Policarpo tanto almejou.