O patriotismo em questão no Brasil
Enviada em 23/10/2019
No Brasil, em decorrência da falta de criticidade de muitos cidadãos, tornou-se corriqueira a compreensão de que a questão patriótica não afeta drasticamente a dinâmica atual. No entanto, embora essa perspectiva permaneça no senso comum, é preciso notar o quanto esse ponto de vista é ingênuo ao possibilitar que o indivíduo se isente da culpa e aponte culpados.
Entendimentos como “a história do país tem influência sobre essa questão” e “tem como um de seus efeitos a valorização de importados, o que pode afetar a economia” são simplistas. Porém, mesmo que elementares, essas ideias sobre a ausência de patriotismo ressaltam a forma como a exaltação de europeus e o incentivo a sua migração para o Brasil até o início do Século XIX influenciaram no sentimento de não apreciar a cultura local. Em geral, quando a sociedade não se predispõe a assumir posturas críticas e sensatas, toda a atualização de valores fica propensa a exaltar padrões de conduta nocivos e desvirtuados que banalizam tal problema. Como se não bastasse, há de se atentar, também, à forma perniciosa como diversos segmentos sociais se comportam diante desse assunto, ao subestimar o agravamento da crise econômica relacionada à produção artística nacional, já que, com a globalização e a expansão do contato com outras nações, o país importa músicas e estilos de vida, como é observado com o K-pop e o Hip hop americano.
Por conta disso, no debate acerca do nacionalismo, é preciso enfatizar a urgência do investimento em um maior senso de corresponsabilidade coletiva. Dessarte, em consonância com as ideias da Teoria da Coesão Social, de Durkheim, e do poeta John Donne, não se deve perguntar por quem dobram os sinos, deve-se notar que o fazem por todos. Desse modo, é possível evitar a proliferação de posturas meramente acusatórias que, além de desprezarem a atuação pouco eficaz ou inexistente de agentes públicos, também agenciam o aborto de sonhos e de esperanças, ao passo que a falta da sensação de pertencimento a uma pátria sem políticas públicas é auto-justificável e interfere no desenvolvimento do cidadão e, por conseguinte, da sociedade. Sob essa égide, mais do que se eximir da culpa para apontar culpados, os brasileiros devem atentar-se ao seu poder de ingerência e resolução.
Certamente, quando restrita a fatores inoportunos, qualquer iniciativa a favor da expansão do patriotismo está fadada ao insucesso. Portanto, faz-se necessário que o Estado, por meio da parceria entre os Ministérios da Educação e da Cidadania, garanta o aprendizado, em instituições de ensino e via palestras, da história nacional, dando enfoque a aspectos culturais que estimulem o nacionalismo, a fim de instigar esse sentimento, melhorar o desenvolvimento do cidadão e inverter o paradigma hodierno. Afinal, segundo Heráclito, a mudança deve ser o princípio fundamental de tudo.