O patriotismo em questão no Brasil
Enviada em 23/10/2019
O documentário Democracia em Vertigem, produzido em 2019, retratou em um de seus temas a crescente onda patriota que assola o país. Nesse sentido, a serie abordou as diversas problemáticas que tal sentimento exacerbado pode provocar na sociedade, como a intensa alienação. Todavia, distante do documentário, na realidade brasileira vigente, tem-se que esse patriotismo provoca não só a alienação, como também inúmeros outros problemas sérios para a vida em comunidade. Diante disso, tem-se que tal ufanismo acentuado pode provocar na população sentimentos de superioridade, prejudicar a alimentação da população, além de intensificar os problemas da região amazônica.
Neste contexto, é notório que o nacionalismo excedido promove na população um sentimento de supremacia, visto que, de acordo com a psicóloga da Universidade de São Paulo, Sara Almeida,tais patriotas estão tão inseridos em suas crenças que opiniões contrárias são consideradas erradas. Por conseguinte, tais pessoas se tornam extremamente manipuláveis por líderes políticos, já que, segundo uma pesquisa da Universidade de Oxford, cerca de 60% das pessoas ufanistas foram manipuladas pelo teste. Tal questão, por exemplo, foi observada no fascismo exposto na década de 40 pela Alemanha.
Além disso, sabe-se que o patriotismo promove um alto protecionismo na agricultura do país, dado que, conforme o jornal Exame, o governo proíbe a importação de alimentos mais baratos para ajudar grandes fazendeiros a lucrarem com preços de produtos elevados. Tal questão prejudica diretamente a população mais pobre, uma vez que, de acordo com o IBGE, cerca de 54 milhões de pessoas não possuem renda para um alimentação digna. À vista desse aumento dos preços dos alimentos, portanto, o número de pessoas desnutridas irá aumentar veemente, de acordo com o jornal o Estadão.
Ademais, é indubitável que esse ufanismo também acomete a floresta amazônica, posto que, segundo relatórios da ONG Greenpeace, o governo brasileiro não aceita ajudas de outros países para questões amazônicas. Tal problemática foi exposta na intensa queimada ocorrida na amazônia em agosto de 2019, em que o governo negou a ajuda de 155 milhões de reais da Alemanha. Paralelo à essa questão, o sociólogo Milton Santos, abordou exatamente esse panorama de como o nacionalismo intenso promove uma aversão a questões básicas, tais como o cuidado com o meio ambiente.
Infere-se, portanto, que o Ministério da Educação, órgão federal responsável pela educação, deve fornecer na grade curricular estudantil aulas sofre os limites do patriotismo brasileiro.Essas aulas seriam feitas por meio de debates, palestras com psicólogos e pesquisadores, além de exposições sobre o tema. Tal ação teria como finalidade promover nos jovens não só um entendimento sobre tema, como também uma construção de um senso crítico, pois assim esse tema terá um debate efetivo.