O patriotismo em questão no Brasil
Enviada em 23/10/2019
A frase que se encontra gravada na bandeira do Brasil faz parte do lema positivista “Amor por princípio, ordem por base e progresso por fim”. Assim como descrito no lema, o brasileiro patriota nutre amor por seu país e se vê representado pelo lugar onde nasceu, a criação de tais vínculos é um sentimento natural do ser humano. Contudo, enquanto há alguns patriotas extremistas que se aproximam do nacionalismo que exclui outras origens, há o brasileiro que não se orgulha de seu país após viver inúmeras desilusões.
A priori, é necessário observar que pode surgir xenofobia e etnocentrismo quando o radicalismo do amor a pátria se torna um nacionalismo exacerbado, que passa a odiar pessoas de outros lugares ou etnias. Tal como o movimento Integralista no Brasil, que compactuou com ideias fascistas. Dessa forma, o patriotismo pode levar a intolerância, que em muitos lugares do mundo resultou em mortes, como na Alemanha Nazista.
Por outro lado, a expressão “complexo de vira-lata”, surgida na década de 50, é usada até hoje para descrever o brasileiro que vê o país de forma negativa, colocando todo o resto do mundo como um lugar melhor. Tal pensamento vai na contramão do patriotismo, pois os brasileiros se tornam dependentes de aprovação estrangeira para aumentarem a autoestima. Conforme o pensamento do sociólogo Bauman, na Modernidade Líquida a sensação é de incerteza, que pode ser causada pelos governos que decepcionam a população, que não vê esperança no futuro no país.
Em suma, o patriotismo pode existir, desde que se respeite os indivíduos que não são de seu país. Para isso, o Governo Federal deve desenvolver programas sociais de assistência a minorias e investir em qualidade de vida, como saneamento básico e educação de qualidade, para que a população se sinta parte do Brasil e deixe de ser marginalizada. Sendo assim, o “amor” do lema positivista, mesmo que excluído da bandeira, não seria excluído da sociedade.