O patriotismo em questão no Brasil

Enviada em 23/10/2019

Para o filósofo Karl Marx, a luta de classes deveria prevalecer ao nacionalismo, porque os proletários não deveriam, jamais, lutar uns contra os outros. No Brasil, a falta de patriotismo faz prevalecer, semelhante ao pensamento marxista, uma falsa luta de classes, na qual ao invés de grupos distintos lutarem pelo poder, o oprimido almeja se tornar opressor.

Em primeiro plano, prevalece entre os não-brancos de periferia, um sentimento de marginalidade em relação ao Estado. Isso se dá como consequência de uma imigração forçada, escravização e posterior negligência estatal diante dos legalmente alforriados, que fazem com que até a contemporaneidade os três poderes, dominados por homens brancos, ao invés de proteger igualmente esses cidadãos, os oprima. Tal fato se evidencia pelo encarceramento em massa de negros, extermínio chancelado pelo Estado em regiões de favela, tipicamente negras, e no explícito desrespeito dos governantes pelos povos indígenas.

Apesar disso, percebe-se, na sociedade, a moral do escravo Nietzschiana, na qual o oprimido não almeja acabar com a opressão, mas sim, se tornar opressor, justificando a falsidade na luta de classes. Esse fenômeno torna-se evidente com o alinhamento não só cotidiano, mas político, de indivíduos negros e indígenas com grupos de extrema direita, em busca por privilégios. Estes indivíduos atuam como uma versão moderna de capitães do mato que, apesar de não-brancos, atuam contra a luta de seus semelhantes por representatividade e cidadania.

Torna-se evidente, portanto, que o caminho para o patriotismo passa pela mitigação do racismo institucional no Brasil. Para isso, militantes dos direitos dos negros e indígenas devem incentivar participantes desses movimentos a atingirem carreiras no Ministério Público, inicialmente cursando Direito, e posteriormente concorrendo a cargos no órgão por meio de concurso público, para que possam denunciar improcedências e crimes do Estado contra essas minorias e estas possam se sentir de fato parte da pátria.