O patriotismo em questão no Brasil
Enviada em 24/10/2019
O modernismo brasileiro foi um movimento artístico que, em vez de se limitar ao que se produzia internacionalmente, se voltou ao próprio Brasil. Foi nesse período que Lima Barreto escreveu a obra “Triste Fim de Policarpo Quaresma”, a qual retrata, em termos ficcionais, a vida do ufanista que se dispôs a tudo por seu país, mas que, como prenunciado pelo título, acaba sendo mal-interpretado e condenado por Floriano Peixoto, então presidente. Fora das páginas, o povo brasileiro se descontenta com um Estado omisso, de forma que o patriotismo é deixado de lado. Para ressuscitá-lo, a solução é o fortalecimento da solidariedade intracomunitária.
Em primeiro lugar, toma-se a Constituição Federal de 1988, a qual postula, em seu artigo primeiro, que “Todo poder emana do povo”. Essa concepção ecoa o ideário iluminista de John Locke, no que se refere ao Contrato Social, determinando que são os cidadãos quem dão legitimidade à entidade do governo, de modo que este não é fim em si mesmo, mas um meio para o bem estar social. Tendo em vista que a população recebe, em lugar de serviços públicos com a melhor qualidade possível, corrupção estatal, é lógico pensar que o patriotismo poderia ser uma inconformidade, na medida em que a exaltação à pátria poderia legitimar o governo ineficiente que a representa. Sem o patriotismo, porém, tampouco a sociedade se uniria da maneira necessária para fazer valer os seus direitos.
Em segundo lugar, pontua-se o desafio de unificar o Brasil, cujo extenso território abarca uma múltipla identidade nacional. Por essa dificuldade, a União enfrenta, por exemplo, o movimento separatista “O Sul é Meu País”, mostrando como as regiões não se reconhecem. Nesse sentido, é preciso considerar que ideais patrióticos, de forma alguma, se resumem a cultuar o hino nacional ou a bandeira, mas incluem, com efeito, a solidariedade com os compatriotas. Nesse sentido, se, a princípio, é tão difícil reconhecer uma cultura distinta, é mais fácil, por outro lado, ser solidário com o vizinho e com pessoas que compartilham um bairro. Assim, essa micro-união, quando ampliada ao âmbito intercomunitário, resulta em um uma articulação social capaz de defender os interesses nacionais.
Portanto, é de suma importância para a valorização da nação que se desenvolva esse movimento de cuidado e articulação comunitária, em conjunto com diretrizes que valorizem a identidade brasileira. Para tanto, é preciso que cada bairro melhore o relacionamento de seus moradores por meio de eventos, como competições esportivas e apresentações artísticas de música e dança, além de trabalhar para uma organização política em assembleias e conselhos municipais. Ademais, é preciso que o movimento, apoiado pelo Governo Federal, divulgue, por meio da televisão e das redes sociais, os ideias de país unido. Com isso, espera-se ver, por fim, o Brasil como a pátria amada.