O patriotismo em questão no Brasil
Enviada em 24/10/2019
Na Grécia Antiga, a palavra “idiota” era usada para denominar aqueles que, não exibindo apreço pelo espaço onde viviam, não participavam da vida pública da “pólis”. Nesse sentido, pode-se perceber que a estima pelo bairro, cidade ou país em que se reside é um fator essencial para que se possa melhorá-los. No entanto, nota-se que o sentimento patriótico não é tão frequente no Brasil, o que remonta a fatos históricos e traz consequências que merecem análise.
Em primeiro lugar, vale destacar algumas das origens dessa problemática. Sob esse viés, a falta de participação popular em processos importantes na construção do país, como a Independência, realizada pelas elites, e a Proclamação da República, organizada pelos militares, atrofiou o surgimento de um patriotismo participativo. Além disso, a concentração de investimentos públicos em áreas muito restritas do território nacional, como a Zona Sul de São Paulo e do Rio de Janeiro, relegou a imensa maioria a lugares precários, pelos quais não há sensação de pertencimento.
Ademais, é importante mencionar efeitos desse cenário. A falta de contribuição dos setores privados e da classe política nacional à coletividade, por exemplo, pode ser entendida como a continuação da mentalidade extrativista das elites coloniais. A título de ilustração, não houve doações de empresários brasileiros para a reconstrução do Museu Nacional e as chicanas da política foram expostas por investigações como o Mensalão e a Lava-Jato. Desse modo, conclui-se que a falta de patriotismo em todas as esferas sociais prejudica o desenvolvimento de uma democracia sólida.
Portanto, urge que o Ministério do Desenvolvimento e Planejamento, em parceria com os estados e municípios, promova a revitalização das favelas e dos subúrbios nacionais. Isso pode ser feito mediante o direcionamento de verbas governamentais para a construção de bibliotecas, áreas de lazer e centros culturais nessas áreas. Tal medida tem por fim estabelecer condições para que uma imensa parte da população sinta-se enfim pertencida ao seu lugar de residência e, assim como nas “pólis” gregas, participe de maneira efetiva e patriótica da vida política do país.